Após deixar governo Agnelo, PPS não descarta romper com Perillo

Em entrevista ao iG, o presidente nacional do partido, Roberto Freire (SP), nega incoerência da legenda por ter apoiado o PT no DF

Fábio Matos, iG São Paulo |

No dia em que o PPS anunciou oficialmente que o partido entregará todos os cargos que ocupava no governo de Agnelo Queiroz (PT) no Distrito Federal, o presidente nacional da legenda, deputado federal Roberto Freire (SP), afirmou em entrevista ao iG que a mesma atitude pode se repetir em Goiás, desta vez envolvendo a administração do governador Marconi Perillo (PSDB).

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Em reunião realizada na manhã desta terça-feira, em Brasília, a Executiva Nacional do partido decidiu, por unanimidade, intervir no diretório do Distrito Federal e determinar o afastamento imediato da base de apoio ao governador petista, suspeito de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar uma rede de jogos ilegais e de obter benefícios para seu grupo por meio de sua influência junto a parlamentares e alguns governadores – entre eles, o tucano Perillo. Cachoeira foi preso na Operação Monte Carlo comandada pela Polícia Federal .

Foram 16 votos favoráveis à saída imediata do PPS do governo Agnelo e nenhum contrário. Com isso, a Executiva Nacional do partido anula a decisão que já havia sido tomada pelo diretório do DF, há dez dias, de que a legenda permanecesse na base aliada. Atualmente, o PPS ocupa a Secretaria de Justiça, a diretoria do Procon e a as administrações regionais de Planaltina e Guará.

“Nós estamos aguardando que o diretório inicie lá em Goiás o debate. Se ficar mais ou menos como em Brasília, acho capaz deles saírem do governo também”, admitiu Freire. “Mas é precipitado falar em uma decisão definitiva neste momento. Primeiro, o diretório de Goiás precisa discutir o assunto e tomar sua decisão. Vamos aguardar a posição deles.”

Levi Bianco/Brazil Photo Press/AE
"Se ficar mais ou menos como em Brasília, acho capaz deles saírem do governo também", diz Freire sobre apoio do PPS a Marconi Perillo (PSDB)

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Em relação ao desfecho da relação entre o PPS-DF e o governo de Agnelo Queiroz, Freire conta que o assunto já estava sendo debatido internamente pelo partido desde o ano passado. “Há oito meses, no mínimo, até mesmo antes do Congresso Nacional realizado no ano passado, houve uma movimentação de líderes do PPS levantando que as denúncias anteriores contra a pessoa do governador, seja na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ou no Ministério do Esporte, em cargos que ele ocupou, além do seu enriquecimento súbito, deixavam o partido em situação delicada ao integrar o seu governo”, afirmou Freire ao iG .

“O diretório (do Distrito Federal) argumentava que eram ataques políticos ao governador, à figura dele, e avaliava que era precipitada uma decisão de rompimento. Desde aquele momento, não se deixou mais de discutir essa questão”, explicou o presidente do PPS. “Eu, pessoalmente, sempre defendi que a decisão deveria ser do Diretório Distrital, e eles entenderam que não havia elementos que justificassem uma saída do governo. Mas começaram a aparecer as denúncias não apenas contra a pessoa, mas contra o governo dele como um todo. E eles não tinham mais o argumento de que era algo pessoal.”

Partido nega incoerência

Ao lado de PSDB e DEM, o PPS faz parte dos partidos de oposição ao governo da presidenta Dilma Rousseff, assim como já aconteceu nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Apesar de ter apoiado a candidatura de Lula no 2º turno da eleição de 2002 (depois de ter lançado Ciro Gomes candidato no 1º turno), o PPS logo rompeu com o governo, ainda em 2004, e desde então vem marcando uma posição de oposição ao PT no plano federal. Em 2010, o partido apoiou a candidatura presidencial do tucano José Serra.

Ao ser questionado a respeito da decisão do PPS de inicialmente apoiar o governo do petista Agnelo Queiroz no Distrito Federal mesmo com todas as críticas do partido ao PT em nível federal, Roberto Freire rechaçou a tese de que a legenda foi incoerente. “O partido do Distrito Federal achou que era pertinente, depois de todo o problema que houve com o governador anterior (José Roberto Arruda, ex-DEM), apoiar o governo Agnelo, na expectativa de que houvesse uma mudança nesse quadro em Brasília. Foi uma decisão legítima dos companheiros do Distrito Federal”, justificou.

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Arruda caiu após ter sido apontado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, como o principal articulador de um esquema de corrupção envolvendo membros de seu governo, deputados distritais e empresas com contratos públicos – que ficou conhecido com o “mensalão do DEM”. O ex-governador do DF pediu desfiliação do DEM em dezembro de 2009 para evitar que fosse expulso pela legenda e chegou até a ficar preso na Superintendência da PF, em Brasília.

“As pessoas às vezes não entendam uma situação que é normal. Não temos veto nenhum ao PT, mas ao governo Lula/Dilma. Posso ser oposição ao governo do PT em nível federal e em outros Estados apoiá-los”, explicou o presidente do PPS. “Existe um número razoável de alianças do PPS com o PT em várias cidades do País, e isso vai acontecer novamente nas próximas eleições.”

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