'Ninguém segura', diz Russomano sobre possível chapa com Netinho

Pré-candidato do PRB não crê que o fato de ter feito parte do mesmo grupo político de Paulo Maluf iniba PCdoB a fechar uma aliança

Fábio Matos, iG São Paulo |

No dia em que anunciou o fim das negociações com o PMDB de Gabriel Chalita para uma aliança no 1º turno das eleições municipais, o pré-candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomano, não escondeu qual será o principal objetivo da legenda até as convenções partidárias programadas para o mês de junho: formar chapa com o ex-vereador Netinho de Paula, pré-candidato do PCdoB.

Leia mais: Russomano descarta aliança com Chalita no 1º turno

“Assim como eu, o Netinho está muito bem posicionado nas últimas pesquisas e é muito bem visto pela população em geral. Nós temos uma ótima relação e estamos conversando muito sobre a possibilidade de uma aliança já no 1º turno”, afirmou Russomano nesta segunda-feira, após conceder uma entrevista coletiva em seu escritório político em São Paulo. “Eu costumo brincar com ele e dizer: 'eu e o Netinho juntos, ninguém segura'.”

Epitácio Pessoa/AE
O pré-candidato do PRB à prefeitura de São Paulo quer Netinho (PCdoB) em sua chapa

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A possível aliança entre Russomano, considerado herdeiro político do ex-prefeito Paulo Maluf (PP), e Netinho, pré-candidato comunista à prefeitura, que para alguns pode parecer inusitada à primeira vista, está bem encaminhada, segundo o PRB. O presidente nacional do partido, Marcos Pereira, tem mantido conversas com Renato Rabelo, chefe do PCdoB. “As conversas estão muito bem encaminhadas não só com o PCdoB como com outros partidos”, diz Pereira. “O diálogo mais adiantado é, pela ordem, com o PCdoB, e depois com o PDT (cujo pré-candidato é o deputado Paulo Pereira da Silva).”

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O principal objetivo da campanha de Celso Russomano era fechar aliança com um grande partido no 1º turno das eleições, de olho no maior tempo de propaganda na televisão. Por isso, o PRB estava tão empenhado em uma dobradinha com o PMDB de Chalita. “O Chalita se transferiu do PSB para o PMDB justamente com esse compromisso de que seria candidato a prefeito. Então, ele não quis abrir mão disso”, lamentou Pereira.

Mais bem posicionado na última pesquisa Datafolha, divulgada no início de março, do que Chalita (aparece em segundo lugar, com 19% das intenções de voto, enquanto o peemedebista soma 7% e ocupa a quinta colocação), Russomano propunha que, em junho, os dois partidos definissem quem ocuparia a cabeça de chapa na aliança, com base nas sondagens eleitorais. Mas o PMDB não aceitou.

Após a negativa de Chalita, Russomano confia na dobradinha com Netinho e o PCdoB. “Se o Netinho crescer nas pesquisas e me passar, eu poderia ser o vice dele. Conversamos com o PCdoB e sentimos um diálogo mais aberto para definir o que fazer em junho, antes das convenções, com base nas pesquisas”, planeja.

Herdeiro político de Maluf – Terceiro candidato mais votado nas eleições ao governo do estado de São Paulo em 2010, com 5,42% dos votos válidos, Russomano deixou o PP de Paulo Maluf em setembro de 2011 após desavenças com o ex-prefeito. Mas o pré-candidato do PRB não acredita que a antiga relação com Maluf iniba os comunistas e Netinho a apoiá-lo. “Nunca houve essa proximidade (com Maluf). Todo mundo sabe das nossas desavenças dentro do partido”, afirma. “É claro que o eleitorado dele é bem-vindo. Aliás, o eleitorado não é dele, porque ninguém é dono de ninguém, o eleitor é sábio. Mas eu não tenho padrinho político, isso não existe. Sempre tive estrela própria.”

Além do assédio ao PCdoB e ao PDT, o PRB já fechou alianças com o PTdoB e o PTN e tem “conversas adiantadas” com o PHS e o PRP. “Queríamos estar coligados, se possível, a um partido grande, maior que o nosso, por causa do tempo de televisão. Por isso, estamos conversando com outras legendas, como o PP e o DEM, mas com essas acho que as chances (de aliança) são mais remotas neste momento”, explica Marcos Pereira, que será o coordenador geral da campanha de Russomano.

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