Membros da CPI reclamam de ‘sala da verdade’ para acessar inquérito

Parlamentares da comissão não podem ter a ajuda de assessores durante a pesquisa de mais de 15 mil páginas sobre Cachoeira

iG São Paulo |

Os membros da CPI do Cachoeira, que investiga a relação do bicheiro com políticos e agentes públicos e privados, voltaram a reclamar nesta segunda-feira (7) das medidas de segurança que restringem o acesso ao inquérito sigiloso da operação Vegas, da Polícia Federal (PF). Hoje é o primeiro dia de funcionamento da sala de segurança, no Senado, onde ficam os documentos.

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"Em nome do sigilo, estamos criando um ambiente de constrangimento ao parlamentar. Imagine se todo funcionário do poder público tivesse que passar por essa situação para trabalhar", disse o deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF), o terceiro a chegar à sala, que classificou de sala da verdade".

Na quinta-feira (3), o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), mandou adaptar uma sala de 15 metros quadrados, com três computadores e câmeras de segurança para tentar impedir o vazamento de dados. Antes de entrar, os deputados e senadores precisam depositar em uma mesa os seus celulares e assinar um termo de compromisso sobre a confidencialidade das informações. E não podem ter a ajuda de assessores para pesquisar dados dos inquéritos que somam 15 mil páginas.

Essa é a maior reclamação de Pitiman. "Não dá para trazer qualquer tipo de assessoramento técnico e isso torna o trabalho menos eficiente", afirmou. No fim de semana, a oposição chamou o esquema de “absurdo”, “inviável”, “obsoleto” .

A primeira a chegar à sala da consulta foi a deputada Íris Resende de Araújo (PMDB-GO), que iniciou sua segunda-feira de aniversário, às 7h45, usando um dos terminais com as informações da Operação Vegas. Segundo ela, a sala é pequena.

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A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse que, ao analisar rapidamente os arquivos que estão nos computadores, não viu nada que já não estivesse publicado na imprensa. "Fiz uma leitura rápida. Tudo que vi já foi divulgado", disse a senadora. “O que acho &eajogos ilegais e de comandar uma rede de influência envolvendo políticos e cute; que esse processo de consulta vai dar confusão", completou.

Nos computadores da CPI, estão apenas a informações referentes ao inquérito da Operação Vegas, fornecidos na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal. A CPI ainda aguarda o inquérito da Operação Monte Carlo. Na semana passada, o relator do processo no Supremo, ministro Ricardo Lewandowski informou que os arquivos da Monte Carlo ainda não chegaram ao tribunal e que ainda estão em poder da 11ª Vara Federal em Goiânia.

A CPI investiga as ligações de Cachoeira com agentes públicos e privados. Ele está preso desde fevereiro sob suspeita de envolvimento em administradores públicos.

Após ter aprovado a quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal de Cachoeira, a comissão pediu na semana passada ao Banco Central as informações bancárias dele. Esses dados ainda não chegaram aos computadores da CPI. O pedido de quebra de sigilo abrange as movimentações bancárias de Cachoeira desde 2002.

Além do pedido de quebra de sigilo, a comissão marcou o depoimento de Cachoeira para o próximo dia 15. Também foi aprovada a convocação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), suspeito de ligações estreitas com o esquema liderado por Cachoeira. O depoimento de Demóstenes foi agendado para o dia 31.

Com Agência Brasil

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