Presos foram esquartejados e jogados na Lagoa da Pampulha

Revelação é do ex-delegado Cláudio Guerra; essa é a primeira vez que Minas é citada em ações de desaparecimento de presos

Tales Faria e Wilson Lima, iG Brasília |

Projetada por Oscar Niemeyer quando Juscelino Kubitschek era prefeito de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha, hoje um dos principais pontos turísticos da capital mineira, foi usada como local para descarte de cadáveres de presos políticos durante a ditadura militar. A Lagoa da Pampulha é citada pelo ex-delegado da Polícia Civil do Espírito Santo, Cláudio Guerra, no livro “Memórias de uma guerra suja” com um de vários cemitérios clandestinos utilizados pelos militares durante o regime militar.

Além da Pampulha, Guerra cita a existência outros cemitérios clandestinos. Um na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro; outro em São Paulo, no sítio de Josmar Bueno, ex-policial civil paulista e hoje juiz da Federação Paulista de Boxe; no subsolo da Delegacia de Roubos e Furtos de Belo Horizonte e até no penhasco da Floresta da Tijuca.

Em contato com o iG , Josmar Bueno negou seu sítio fosse utilizado como cemitério clandestino. Ele admitiu que trabalhou com Guerra, durante algumas missões da Polícia Civil em São Paulo, mas nunca para trabalhos de execução e desaparecimento de presos políticos. “Ele (Guerra) enlouqueceu? Estou decepcionado. Fui um bom policial. Não gostava de bandido, como ninguém gosta. Mas nunca me meti em política. Eu sempre me meti em investigação séria. Ele deve ter pirado”, rebateu Bueno.

O ex-delegado conta, com base em informações de colegas do DOPS (Departamento de Ordem Político Social), que após morrerem na carceragem da 16ª Delegacia de Polícia da capital mineira detentos do regime foram jogados na Lagoa da Pampulha. “As pessoas que morriam ali eram esquartejadas, ensacadas e jogadas na própria lagoa (da Pampulha), com pesos. Foi o que ouvi, nunca participei deste fatos”, relata Guerra. Segundo o mineiro Nilmário Miranda, ex-secretário de Direitos Humanos, essa é a primeira vez que se tem notícias de desaparecidos políticos em Belo Horizonte.

Na versão de Guerra, em Petrópolis, além de um cemitério, havia um centro clandestino de tortura e dentro de execução de inimigos do regime. “Ouvi falar de um cabo que trabalhava lá, o doutor Magno. Ele não só matava e serrava os mortos como punha um ácido para acabar com os corpos. Depois os enterrava, sem chances para a perícia conseguir identifica-los”, lembra Guerra.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG