OAB do Rio cobra nomeação da Comissão da Verdade

Presidente da entidade, Wadih Damous, afirmou que militar ainda é uma ferida não cicatrizada na sociedade brasileira

iG Brasília |

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous, cobrou a instituição urgente da Comissão da Verdade, organismo que irá investigar “as graves violações de direitos humanos” praticadas durante o regime militar.

Ao comentar o livro “Memórias de uma guerra suja”, o presidente da OAB afirmou que “o paradeiro dos militantes políticos desaparecidos na época da ditadura militar ainda é uma ferida não cicatrizada na sociedade brasileira”. Para Damous, os fatos revelados no livro, cuja primeira cópia foi obtida com exclusividade pelo iG , “só vem a mostrar que está mais do que na hora da presidenta Dilma Roussef nomear a Comissão da Verdade”.

“As informações do livro “Memórias de uma guerra suja” ao mesmo tempo em que devem ser recebidas com cautela não podem também ser descartadas de plano”, disse o presidente da OAB-RJ. “À Comissão da Verdade competirá investigar essas e outras informações que levem o Brasil a fechar, definitivamente, essa dolorosa ferida", complementou.

Outras autoridades e ativistas dos direitos humanos cobraram a instituição urgente da Comissão da Verdade, como o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi e a historiadora Maria Aparecida Aquino, doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). A atual ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse ser papel da Comissão da Verdade “analisar esse e todos os demais relatos, depoimentos e informações sobre o período em questão”. A expectativa é que a presidenta Dilma Rousseff (PT) nomeie os membros até o final deste mês.

Desde quarta-feira, o iG revela detalhes do livro que aponta novas versões para vários episódios da ditadura militar. No livro “Memórias de uma guerra suja”, que acaba de ser publicado pela editora Topbooks, o ex-delegado Cláudio Guerra afirma em depoimento aos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto fatos até então inéditos sobre a ditadura militar. Guerra afirma, por exemplo, que o delegado Sérgio Paranhos Fleury – titular da Delegacia de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo, considerado um símbolo da linha-dura do regime foi assassinado por um grupo de militares revoltados contra a abertura política no Brasil.

O ex-delegado também afirma no livro que militantes de esquerda foram incinerados em uma usina de cana de açúcar localizada no Rio de Janeiro e que os mesmos comandantes que planejaram o atentado do Riocentro foram os responsáveis pela execução do jornalista Alexandre Von Baumgarten, em 1982. Em outro trecho do livro, Guerra fala de um plano dos militares para matar Brizola e culpar Igreja Católica pelo atentado.

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