"Nunca julguei meu pai", diz filho do ex-delegado Cláudio Guerra

Marcelo Guerra conta que já conhecia há anos as histórias sobre crimes cometidos na ditadura publicadas no livro

Raphael Gomide, enviado do iG a Vitória (ES) |

Marcelo Guerra, 45 anos, filho do ex-delegado da Polícia Civil do Espírito Santo Cláudio Guerra, sempre soube da fama de violência do pai, que esteve preso dez anos por tentativa de homicídio de um contraventor. Também já conhecia havia muitos anos as histórias contadas sobre sua atuação na repressão à esquerda nos tempos da ditadura militar (1964-1985).

Mas sempre evitou fazer juízo de valor sobre Cláudio Guerra, figura conhecida e temida no Espírito Santo.

“Nunca julguei meu pai. Ele é o meu pai, e nada do que fez ou vá fazer mudará isso. Como filho, procuro orientá-lo da melhor maneira possível... Cabe a ele seguir ou não de acordo com as diretrizes de vida dele”, disse Marcelo ao iG, reconhecendo que “nem todo mundo vai compreender que ele se regenerou”.

Condenado a 42 anos pela tentativa de homicídio, com a explosão de uma bomba, do contraventor Jonathas Bulamarques, – que ficou mutilado e foi assassinado a tiros meses depois, em casa –, ele cumpriu dez anos. Também foi condenado a 18 anos, mas recorre em liberdade, pelo assassinato da mulher, Rosa Maria Cleto, e da cunhada, Glória Maria Cleto. Outra ex-mulher sua, Adélia Ribeiro Guerra, desapareceu, em fevereiro de 1996.

Regeneração na igreja fez de Cláudio Guerra “uma outra pessoa”, afirma filho

A “regeneração” é recente, de 2007, quando foi batizado evangélico e “aceitou Jesus”. Segundo Marcelo, Cláudio Guerra decidiu fazer o relato para o livro depois de se converter para a Assembleia de Deus, onde atualmente é pastor. “Ele só fez o que fez a pedido de Deus para relatar o que viveu”.
A entrada na igreja marca uma mudança clara de comportamento social do pai, na opinião de Marcelo, que mora em Minas Gerais atualmente. “Quem o conheceu antes e conhece meu pai hoje, é uma outra pessoa, outro ser humano.”

Para o filho, a nova fase é um momento esperado há muitos anos pela família. “Estou muito satisfeito com a nova vida dele (ligado à igreja). A vida inteira a gente orou muito para que ele passasse a seguir a palavra de Deus, qualquer que fosse a religião. Eu sou católico, mas, para mim, é uma vitória ele estar na Assembleia de Deus, ou em qualquer outra igreja.”

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