Guerra rebate críticas sobre livro e pede acareação com coronel

Denunciante de crimes na ditadura militar, ex-delegado de Polícia Civil quer ir à Comissão da Verdade criada por Dilma

Adriano Ceolin e Tales Faria, iG Brasília |

O ex-delegado da Polícia Civil Cláudio Guerra colocou-se hoje à disposição da Comissão da Verdade para participar de uma acareação com o coronel Juarez de Deus Gomes da Silva. Em entrevista, o militar desqualificou as denúncias feitas por Guerra no seu livro recém-lançado “Memórias de uma Guerra Suja”, da editoria Topbooks.

“Eu estou disponível para falar à Comissão da Verdade criada pela presidenta Dilma Rousseff . Somente a essa comissão eu vou falar”, disse Guerra em mensagem eletrônica enviada aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, que colheram o depoimento do ex-delegado para a produção do livro. “Podemos fazer acareações”, completou Guerra.

A íntegra das declarações recentes serão divulgadas ainda nesta sexta-feira no site do livro www.memoriasdeumaguerrasuja.com.br .

Guerra rebate, sobretudo, o coronel Juarez Gomes da Silva, que nega a versão de Guerra sobre a morte do delegado paulista Sérgio Fleury . “ Não conheço esse delegado nem sei que almoço foi esse! Não sei se esse delegado está recebendo dinheiro ou se é maluco. Não sei quem ele é. Para mim, pode estar recebendo dinheiro da Comissão da Verdade ", disse ao iG ontem.

O autor do livro insiste na sua versão. "O coronel Juarez, que está me desmentindo, foi ligado a mim. Por algumas vezes me socorreu. Meu corpo respondia muito mal depois das execuções, às vezes passava semanas para me recuperar, e o coronel Juarez era quem arrumava medicina especializada”, explicou.

Comissão da Verdade

Ainda na mensagem enviada hoje, Guerra afirma que outros agentes da repressão podem colaborar com a Comissão da Verdade. “Muitas destas pessoas que estão vivas e que trabalharam comigo também podem ajudar. Exerci uma liderança sobre eles e tenho esperança de conseguir convencê-los a ajudar a Comissão da Verdade”, disse.

“Quero ajudar as famílias e aos militares que viveram aqueles dramas. É preciso esclarecer tudo isso. O que fiz e o que eu soube o que foi feito esta no livro, mas com a ajuda de investigadores e da Comissão da Verdade poderemos ir mais adiante. Mas é preciso entender que movido por vingança ninguém vai chegar a lugar algum”, completou Guerra.

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