“De maluco meu pai não tem nada”, diz filho de ex-delegado Cláudio Guerra

Marcelo Guerra afirma temer pela vida do pai após a publicação do livro em que conta episódios violentos da repressão na ditadura

Raphael Gomide, enviado do iG a Vitória (ES) |

Divulgação
Segundo o filho, delegado Cláudio Guerra "de louco não tem nada"
Marcelo Guerra, filho de 45 anos do ex-delegado do Espírito Santo Cláudio Guerra, afirmou ao iG que o pai “de maluco não tem nada” e declarou que teme pela vida dele, após as revelações que fez em depoimento para o livro “Memórias de uma guerra suja”, dos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros.

“De maluco ele não tem nada, não”, afirmou Marcelo, rindo.

O iG mostrou que Cláudio Guerra conta ter participado de assassinatos e desaparecimentos de corpos durante a ditadura militar (1964-1985). Ele também afirma ter estado, com alguns militares, em reunião em que o grupo teria decidido matar o delegado Sérgio Paranhos Fleury, da DEIC (Delegacia de investigações Criminais) – morto em 1979, ao cair de uma lancha, em Ilha Bela (SP).

Os coronel reformado Juarez de Deus Gomes da Silva (Aeronáutica) e Joseita Brilhante Ustra, mulher do coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, citados nominalmente, afirmaram ao iG que o ex-delegado é “louco ou está recebendo dinheiro” para fazer essas afirmações. Ustra também foi acusado pelo ex-delegado de ter participado do atentado a bomba do Riocentro, em 1981 e da morte do jornalista Alexandre Baumgarten, no ano seguinte.

"Eu estaria mentindo se dissesse que não traz risco"

Marcelo disse temer pela segurança e a vida do pai, mas confia na proteção de Deus. “Deus é que protege. Já protegeu até hoje... Mas eu estaria mentindo e sendo ingênuo se dissesse que (o livro) não traz nenhum risco de vida para ele.”

Sobre a polêmica e a repercussão que as histórias do livro vêm causando na imprensa, Marcelo fala com tranquilidade.

“As coisas que ele falou vão atingir muita gente que está viva ou até que já morreu. Cabe a ele provar o que diz e aos outros se defender ou alegar o que acharem conveniente”, afirmou.

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