No Conselho de Ética, Costa vê indícios de quebra de decoro em elo de senador com Cachoeira

O senador Humberto Costa (PT-PE), relator no Conselho de Ética do caso que envolve Demóstenes Torres (sem partido-GO), pediu nesta quinta-feira (3) a abertura de processo por quebra de decoro que pode levar à cassação do senador. Com o parecer de 63 páginas em mãos, os senadores do colegiado terão até o dia 8 para decidir se abrem ou não o processo contra Demóstenes.

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Advogado de Demóstenes conversa com relator que pediu a abertura de processo
Agência Brasil
Advogado de Demóstenes conversa com relator que pediu a abertura de processo

Ao analisar o caso, Costa viu indícios de quebra de decoro do parlamentar em sua relação com o bicheiro Carlos Cachoeira, mas só deve pedir a cassação de Demóstenes ou recomendar outra punição ao senador após ouvir depoimentos e analisar os documentos sobre o caso.

Para o relator, as denúncias de envolvimento do parlamentar goiano com um esquema de jogos ilegais e outros crimes publicadas pela imprensa são suficientes para admitir a representação apresentada pelo PSOL."Em sua atuação como membro do conselho, o próprio senador Demóstenes defendeu a utilização de matérias jornalísticas como elementos de um processo- lembrou o relator em se voto, referindo-se ao argumento utilizado pelo senador acusado em sua defesa prévia", disse Costa.

Em defesa de Demóstenes, o advogado pediu o arquivamento do processo e disse que identificou manipulações nas gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal que indicam elo do senador com o bicheiro. Hoje, na reunião do Conselho, o advogado de defesa de Demóstenes, Antônio Carlos de Almeida Castro, teve negado o pedido de ter cinco dias para analisar o parecer de Costa.

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Ontem, a CPI do Cachoeira decidiu ouvir o senador , acusado de colocar o mandato a serviço do bicheiro, no dia 31.

Também ontem, o presidente da CPI, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), recebeu do Supremo Tribunal Federal (STF) um CD com os 40 volumes do inquérito aberto para investigar o envolvimento de Demóstenes com o esquema.

O inquérito entregue pela Procuradoria Geral da República , sob comando do procurador Roberto Gurgel, classifica os “vínculos que unem” o senador e o bicheiro como relações que “extrapolam em muito os limites éticos exigíveis na atuação parlamentar, adentrando a seara penal”.

A afirmação do documento, baseada em conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, serve de base para a Procuradoria solicitar ao STF que o senador seja enquadrado nos artigos 317 (corrupção passiva) e 319 (prevaricação) do Código Penal.

“As tratativas entre eles (Demóstenes e Cachoeira) envolveram os mais variados assuntos e, em todos, há a atuação decisiva do senador Demóstenes Torres em prol dos interesses econômicos de Carlos Cachoeira”, diz o inquérito.

Com Agência Senado

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