MPF deve pedir reabertura de inquérito sobre morte de Fleury

Presidente da Comissão da Verdade paulista quer convocar ex-delegado para depoimento na Alesp

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A procuradora da república Eugênia Fávaro defendeu a reabertura do inquérito pelas autoridades competentes sobre a morte do delegado Sérgio Paranhos Fleury, diante das revelações feitas pelo ex-delegado Cláudio Guerra de que Fleury foi assassinado pela ditadura militar .

Leia também: Ditadura copiou nazismo, diz irmão de vítima

Exclusivo iG: “Militantes de esquerda foram incinerados em usina de açúcar”

“Este relato tem uma série de novos elementos e revelações muito, muito importantes. Vamos pedir que o inquérito sobre a morte do delegado seja reaberto. Afinal, não deixa de ser um homicídio comum”, disse Eugênia, que integra o grupo de procuradores do Ministério Público Federal responsável pela ofensiva jurídica contra ex-torturadores e criminosos do regime militar.

Segundo ela, o relato do ex-delegado também pode motivar ações do MPF em relação aos dez militantes que foram supostamente incinerados em uma usina no estado do Rio de Janeiro e estão desaparecidos há 40 anos. “O relato é horrível mas, se for comprovado, pode indicar a destinação destas pessoas desaparecidas”, afirmou.

Leia mais: "Delegado Fleury foi morto por militares"

Comissão da Verdade

O ex-delegado dá os nomes dos comandantes da operação, “os mesmos de sempre”:

O deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP), presidente da Comissão da Verdade criada pela Assembleia Legislativa de São Paulo, defendeu a convocação do ex-delegado Cláudio Guerra para um depoimento.

“Embora ele seja do Espírito Santo, tem informações sobre vários crimes ocorridos em São Paulo como o assassinato do Fleury (morto em Ilhabela) e os desaparecimentos de Ana Rosa Kucinski e Maurício Silva (presos em São Paulo)”, disse o deputado. “Além disso, a comissão tem autorização para trabalhar em qualquer lugar do Brasil”, completou.

Ex-delegado: Cláudio Guerra, um matador que se diz em busca de paz

O delegado Sérgio Paranhos Fleury foi um dos principais nomes da repressão durante a ditadura militar. Entre outros, matou o guerrilheiro Carlos Marighela, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), em novembro de 1969.

A partir dos anos 70 passou a ser alvo de denúncias de corrupção e assassinatos de criminosos comuns nos chamados esquadrões da morte. Fleury morreu em maio de 1979 durante um passeio de lancha em Ilhabela, litoral paulista. Apesar das suspeitas de assassinato, o inquérito concluiu, na época, que o delegado foi vítima de um acidente.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG