Coronéis Juarez e Ustra prometem processar ex-delegado Cláudio Guerra

Acusados de tramar a morte do delegado Sérgio Fleury afirmam que ex-policial é “louco” ou está recebendo dinheiro para fazer afirmações no livro "Memórias de uma guerra suja"

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Delegado Cládio Guerra afirmou que Fleury foi morto por militares
O coronel-aviador reformado Juarez de Deus Gomes da Silva e Joseita Brilhante Ustra, mulher do coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, afirmaram nesta quarta-feira ao iG que vão processar o ex-delegado do Dops do Espírito Santo Cláudio Guerra .

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O ex-policial afirma - no livro "Memórias de uma guerra suja, dos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros - que ele, os dois coronéis e outros militares tramaram a morte do delegado Sérgio Paranhos Fleury , titular da Delegacia de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo. Homem-forte da repressão durante a ditadura, Fleury foi acusado de torturar presos políticos e de integrar o esquadrão da morte. Ele morreu em maio de 1979, em Ilha Bela, supostamente após cair de uma lancha.

O ex-delegado disse ter participado de almoço no restaurante “Baby Beef” em que o grupo decidiu que “Fleury tinha que morrer”.

De acordo com o coronel Juarez e com Joseita Brilhante Ustra, Guerra “é louco ou recebeu dinheiro” para fazer as afirmações. Do grupo citado, dois morreram: o coronel do Exército Ênio Pimentel da Silveira, que se suicidou, e o coronel Freddie Perdigão. Comandante do DOI do II Exército entre setembro de 1970 até janeiro de 1974, Ustra é acusado de ter torturado presos. O coronel Juarez foi presidente por 11 anos do Grupo Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), grupo de militares em oposição ao “Tortura Nunca Mais”.

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“Não conheço esse delegado nem sei que almoço foi esse! Não sei se esse delegado está recebendo dinheiro ou se é maluco. Não sei quem ele é. Para mim, pode estar recebendo dinheiro da Comissão da Verdade. Vou entrar na Justiça contra ele. Eu servia em Brasília nessa época, não sei que Baby Beef é esse, onde fica. Não conheço e nem sei quem é esse delegado”, afirmou o coronel Juarez, ao iG .

AE
O coronel Brilhante Ustra vai processar o ex-delegado do Espírito Santo Cláudio Guerra
A mulher de Brilhante Ustra disse que o marido também pretende processar o ex-delegado. “É um absurdo o que esse homem está falando. Ou é louco ou está comprado. Em 1979, quando teria havido essa reunião, meu marido estava comandando em São Leopoldo (RS)! Lá recebemos a notícia da morte de Fleury e a notícia para nós foi um choque. Não imaginávamos que ele fosse morrer dessa maneira absurda”, disse.

De acordo com ela, Brilhante Ustra atuou no DOI (Destacamento de Operações de Informações) entre setembro de 1970 e 23 de janeiro de 1974, quando saiu de São Paulo. Joseita também diz ter boa relação com Maria Isabel, viúva de Fleury. “Conheço Maria Isabel. Se meu marido tivesse feito alguma coisa com ele, evidentemente que ela não teria boa relação comigo.”

Segundo Joseita Brilhante Ustra, em depoimento da época, Maria Isabel estava com Fleury quando ele morreu. “Ela comentou comigo que tinham jantado e bebido e, como era louco por lanchas, começou a passar de uma lancha para outra em um iate clube. Tinha bebido, perdeu o equilíbrio e caiu entre uma lancha e outra”, disse.

“Vou pegar esse depoimento da Maria Isabel e entrar na Justiça. Ele não dá nenhuma prova sequer. Nunca participei desse negócio de matar alguém. Não sei nem por que ele envolveu o meu nome”, disse o coronel reformado.

Segundo Guerra, Ustra também teria sido um dos mandantes do atentado do Riocentro, no Rio, em 1981. "Na época do Riocentro, em 81 , ele estava em Brasília, nem estava no DOI quando Baumgartem morreu , em 82. Daqui a pouco vão dizer que ele matou John Kennedy (presidente dos EUA)", ironizou Joseita Brilhante Ustra.

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