Relação de Demóstenes e Cachoeira “extrapola limite ético”, diz procurador

Roberto Gurgel, da Procuradoria Geral da República, recomenda enquadrar senador em crimes de corrupção passiva e prevaricação

Nivaldo Souza, iG Brasília |

O inquérito entregue pela Procuradoria Geral da República, sob comando do procurador Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal da Federal (STF) classifica os “vínculos que unem” o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , como relações que “extrapolam em muito os limites éticos exigíveis na atuação parlamentar, adentrando a seara penal”.

Leia também: Demóstenes recebeu R$ 3,1 milhões de Cachoeira

A afirmação do documento, baseada em conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, serve de base para a Procuradoria solicitar ao STF que o senador seja enquadrado nos artigos 317 (corrupção passiva) e 319 (prevaricação) do Código Penal. “As tratativas entre eles (Demóstenes e Cachoeira) envolveram os mais variados assuntos e, em todos, há a atuação decisiva do senador Demóstenes Torres em prol dos interesses econômicos de Carlos Cachoeira”, diz o inquérito.

O documento entregue nesta sexta-feira à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) indica que o senador e o bicheiro mantinham contatos pessoais para tratar de assuntos que não podiam ser falados ao telefone.

“Constatou-se que o senador Demóstenes Torres mantém estreitos vínculos com Carlos Cachoeira, de natureza pessoal e, também, de natureza profissional”, afirma a Procuradoria.

O inquérito ressalta ainda que a relação pessoal revela graves indícios de que o “parlamentar valia-se do seu cargo para viabilizar interesses econômicos comuns com Carlos Cachoeira”.

    Leia tudo sobre: cpi cachoeirademóstenes torres

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG