Demóstenes recebeu R$ 3,1 milhões de Cachoeira

Inquérito do Ministério Público Federal indica relação entre senador e bicheiro com pagamentos feitos na residência oficial

Nivaldo Souza, iG Brasília |

As gravações telefônicas realizadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, deflagrada para desfazer a rede de jogos do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , revelam pagamentos ao senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

O inquérito elaborado pela Procuradoria Geral da República (PGR) e o Ministério Público Federal (MPF), entregue nesta sexta-feira aos integrantes da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), indica o pagamento de R$ 3,1 milhões ao ex-líder do DEM no Senado.

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O valor foi pago em duas parcelas. Em diálogos gravados entre 22 e 23 de março de 2011, o diretor da construtora Delta, Cláudio Abreu, e o contador de Carlinhos Cachoeira, Geovani Pereira da Silva - foragido da polícia, falam do repasse de R$ 1 milhão a Demóstenes. O inquérito indica que outros R$ 2 milhões teriam sido depositados na conta do senador.

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Os pagamentos seriam compensações a serviços prestados por Demóstenes a Cachoeira, como avisar de operações da polícia contra casas de jogos do bicheiro. O dinheiro também seria uma forma de compensar o empenho do senador em negócios envolvendo a compra de um terreno em Goiás pela Delta. “Há indícios de que o senador Demóstenes Torres recebeu dinheiro, presentes e outras recompensas, como transporte em aviões particulares, vinhos pagos pela Delta, dentre outras vantagens”, diz a Procuradoria.

Em um das conversas interceptadas pela Polícia Federal entre Demóstenes Gleyb Ferreira, auxiliar de Cachoeira, eles combinam a entrega de R$ 20 mil na residência oficial destinada ao senador. Na coversa, Gleyb diz que está “com um negocinho para entregar” a Demóstenes, que indica seu endereço na região sul de Brasília e se despede com um “obrigado, abração”.

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