Presidente da Câmara, Marco Maia diz a deputados que Dilma vetará projeto, caso ele passe com mudanças propostas por relator

Marco Maia foi chamado às pressas na tarde de ontem para conversa com Dilma sobre Código Florestal
Agência Brasil
Marco Maia foi chamado às pressas na tarde de ontem para conversa com Dilma sobre Código Florestal
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), disse ontem a parlamentares que a presidenta Dilma Rousseff vetará o texto do Código Florestal, que será analisado esta quarta-feira pela Casa , caso ele seja aprovado com alterações propostas pelo PMDB. Na prática, o recado de Dilma sinaliza apoio do governo ao PT na guerra que o partido trava com o PMDB .

A bancada petista fechou ontem posição de votar contra o relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG). Já o PMDB anunciou que não abre mão do apoio a Piau, e carrega consigo apoio dos ruralistas e da maioria das outras legendas. Piau fez 21 mudanças no texto aprovado no Senado .

Entre elas, retirou a exigência de recuperação de vegetação nativa desmatada ao longo de rios, cujos percentuais de reflorestamento passariam a ser definidos posteriormente pelos executivos federal e estaduais. Mas no governo prevalece a visão da ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente), de que o texto favorece demais aos ruralistas.

Saiba o que está em jogo na votação do Código Florestal

A estratégia é gerar constrangimento para o líder peemedebista, Henrique Eduardo Alves (RN). Alves é o principal nome da legenda para ocupar a Presidência da Casa no ano que vem. Mas é considerado rebelde pelo Planalto. Na atual votação do Código Florestal, ele é o articulador do apoio dos outros partidos ao texto de Piau.

A postura do líder peemedebista, porém, foi abertamente celebrada em reunião da bancada, na noite de ontem, pouco antes de começar a sessão extraordinária que analisaria a matéria. “Gostaria de congratular o deputado Henrique por estar liderando os líderes desta Casa neste processo de votação do Código Florestal”, afirmou o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).

A reunião da bancada do PMDB foi convocada às pressas, quando ainda se pretendia votar a matéria ontem. Alves queria garantir que os 76 peemedebistas que então estavam na Casa acompanhariam Piau. Segundo o líder, apenas PT, PSOL, PV e PPS votariam contra o relator.

Diante deste cenário, o Planalto decidiu entrar em cena, no fim da tarde, chamando Maia às pressas para encontro com Dilma. Ao longo do dia, as reuniões para discutir o Código Florestal foram esvaziadas.

A primeira delas estava marcada para 10h, no Planalto, com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). O encontro contaria com os ministros Mendes Ribeiro (Agricultura), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário) e Izabella Teixeira, além dos líderes da base. Porém, entre os ministros, apenas Ideli esteve presente. E ela reafirmou o posicionamento do governo de votar o texto do Senado.

“A reunião seria para finalizarmos os entendimentos”, disse Alves à bancada peemedebista. “Mas pela manhã a formatação mudou”. Depois, Marco Maia cancelou a reunião de líderes que ocorre tradicionalmente às terças-feiras, na Presidência da Casa, para discutir a pauta do dia. O argumento era que não adiantaria haver o encontro se as lideranças não teriam como alterar o mérito da matéria.

Batalha no plenário

Os parlamentares passaram então a fazer reuniões por conta própria, sendo que a principal delas aconteceu na liderança do PMDB. A desmobilização dos parlamentares só se deu depois que Maia retornou à Câmara e convocou reunião com as lideranças partidárias.

Na ocasião, chegou-se a discutir a retirarada, do texto de Piau, do artigo que trata do reflorestamento, para que ele tramitasse separadamente como projeto de lei em regime de urgência. “Mas não havia espaço regimental para fazer isso, e a ideia foi descartada”, explicou o líder do PSDB, Bruno Araújo (PE).

No fim do dia, o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), reafirmou que o governo trabalhará para derrubar as alterações propostas por Piau. “Não quero fazer previsões, mas estamos esperando que haja uma batalha no plenário. Inclusive com a possibilidade de judicialização em torno do tema”, concluiu.

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