Ex-diretor da Delta e vereador de Anápolis são presos em Goiás

Claudio Abreu, Wesley Silva e servidor do DF podem transferidos ainda hoje para Brasília, onde devem prestar depoimento

iG São Paulo |

AE
Carlinhos Cachoeira é autor da gravação em que Waldomiro Diniz aparece negociando propina do jogo do bicho

O ex-diretor da Delta Construções Claudio Abreu, afastado da empresa no dia 8 de março, o vereador de Anápolis Wesley Silva (PMDB-GO) e o servidor do governo do Distrito Federal Valdir Reis foram presos nesta quarta-feira em Goiás, durante a Operação Saint-Michelt.

A operação, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal, com apoio do MP de Goiás e da Polícia Civil do Distrito Federal durante esta madrugada, tem origem na Operação Monte Carlo , da Polícia Federal, que prendeu o bicheiro Carlinhos Cachoeira em fevereiro.

As suspeitas da Polícia Federal são de que a construtora teria alimentado doações eleitorais repassadas por Cachoeira. Por conta das suspeitas, o proprietário da Delta, Fernando Cavedish, vai se afastar do comando da empresa, juntamente ao diretor Carlos Pacheco . A decisão será anunciada hoje em Brasília, em uma carta encaminhada pela Delta à Controladoria Geral da União (CGU), na qual a empresa anunciará o início de uma auditoria por meio de uma empresa independente.

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Nesta madrugada foram cumpridos quatro mandados de prisão e cinco de busca e apreensão em Goiânia e Anápolis, deferidos pelo juízo da 5ª Vara Criminal de Brasília. Três pessoas foram presas na capital e uma em Anápolis. O nome da quarta pessoa presa não foi divulgado.

Dos mandados de busca e apreensão, quatro foram cumpridos em residências e um na Câmara Municipal de Anápolis. De acordo com o MP-GO, medidas também foram cumpridas em Brasília e São Paulo, com apoio do Ministério Público do Estado de São Paulo.

De acordo com o MP-DF, Claudio Abreu, Wesley Silva, Valdir Reis e os demais presos na operação podem ser transferidos para Brasília ainda hoje. Eles devem prestar depoimento na Polícia Civil da capital federal.

Silva era amigo da família Cachoeira e chegou a ir ao velório de Maria José de Almeida Ramos, a dona Zezé, 79 anos, mãe do contraventor .

O vereador, inclusive, deu entrevistas pregando a realização de campanhas para que os eleitores se sentissem estimulados a votar, apesar da associação de políticos com Cachoeira. “Não vejo Cachoeira como um tsunami. Creio que o eleitor não faz mau juízo dele. O eleitor fica descrente com os políticos, não com o empresário”, disse em entrevista recente ao jornal Opção, de Goiás.

CPI do Cachoeira

O Congresso convocou sessão conjunta na noite desta terça-feira (24) para a instalação da CPI do Cachoeira . Ontem, partidos fecharam a lista dos indicados que vão fazer parte da CPI mista para investigar as relações de Cachoeira com políticos e agentes públicos e privados. Cachoeira, preso desde fevereiro, é acusado de comandar um esquema de exploração de jogos ilegais. 

Apontado pela Polícia Federal como o arquivo vivo do esquema de pagamento de propina a políticos, o tesoureiro de Cachoeira, Geovani Pereira da Silva, afirma que está "pronto para cooperar" com a CPI . O porta-voz do recado é seu advogado, Calisto Abdala Neto, que tenta garantir a liberdade do cliente. Para a Justiça, o tesoureiro é considerado foragido há quase dois meses.

Com Nara Alves, iG São Paulo e Wilson Lima, iG Brasília

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