PT votará contra parecer de relator sobre Código Florestal

Jilmar Tatto diz que a posição da bancada é votar o texto do Senado, pois ele configura um pacto entre setores ambiental e rural

Reuters |

A bancada do PT fechou posição e votará contra o relatório do Código Florestal redigido pelo deputado Paulo Piau (PMDB-MG), afirmou nesta terça-feira o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP).

Os deputados petistas, que estiveram reunidos na manhã desta terça, decidiram acompanhar a posição do governo, que participou ativamente das negociações e defende o texto aprovado por senadores em dezembro do ano passado.

Entenda: Saiba o que está em jogo na votação do Código Florestal

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AE
Jilmar Tatto disse que bancada não vai seguir voto do relator

"A posição da bancada do PT é votar o texto do Senado e portanto não acompanhar o voto do relator", disse o líder a jornalistas. Para Tatto, o texto dos senadores configura um "pacto" entre os setores ambiental e rural.

O novo Código Florestal teve origem na Câmara, onde foi aprovado em maio do ano passado. Depois de passar por alterações no Senado, voltou aos deputados para que neguem ou chancelem as sugestões dos senadores.

O relatório de Piau retira do texto a exigência de faixas de recuperação de vegetação desmatada ao longo de rios, deixando para os Executivos federal e estaduais a posterior definição desses percentuais de reflorestamento. Já o texto do Senado prevê a recuperação de faixas que variam de acordo com a largura do rio.

Nesta terça-feira, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) garantiu que o voto na medida ocorrerá hoje, e que "não tem como adiar mais". 

Segundo o parlamentar, o esforço é para "aprovar aquilo que o governo considera o melhor". Fazendo coro à afirmação de Tatto, ele acrescentou que, "se é para ficar entre o parecer atual do relator, versus aquilo que veio do Senado, a orientação para a base do governo é votar o texto que veio do Senado".

O líder governista admitiu que, em caso de aprovação da proposta de Piau, existe a possibilidade do veto. "Cada parlamentar, cada bancada tem opinião. Nós respeitamos. Por isso já comentei que, em determinadas matérias, ao final, o Executivo tem suas prerrogativas também."

De acordo com Chinaglia, apesar de a votação estar marcada para hoje e não haver intenção de adiá-la, muitas conversas ainda serão realizadas. "Ainda vamos ter conversas várias. Mas, agora, não tem como adiar. Chegou a hora de decisão. É o texto do Senado - pode haver alterações aqui ou acolá - mas na essência é o do Senado", reiterou o líder, depois de reunião com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para tratar do tema.

Para o líder, a base, agora, está "refletindo melhor" sobre os termos do Código Florestal, depois de reconhecer que, anteriormente, quando o texto foi apreciado na Câmara, a base estava dividida. Chinaglia, no entanto, não quis fazer qualquer previsão de placar. "Seria temerário fazer contabilidade, eu prefiro não ir por aí. Nós estamos discutindo o mérito da matéria", observou.

Embora não conte com o apoio do governo, Piau calcula que a maioria dos partidos devem votar a favor de seu parecer. Segundo o relator, apenas PT, PSOL e PV fecharam questão contra seu voto.

O PV, inclusive, apresentou questão de ordem na segunda-feira, pedindo a troca do relator e a nulidade de seu parecer. O líder do PV na Casa, Sarney Filho (MA), argumentou que pelo regimento interno Piau não pode ocupar a relatoria, uma vez que é autor de um dos projetos apensados ao substitutivo aprovado pela Câmara no ano passado.

Com Reuters e Agência Estado

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