Ministério Público denuncia Ustra por sequestro na ditadura militar

Procuradores usam o argumento de crime continuado para abrir ação penal contra coronel responsável pelo DOI-Codi

Valor Online |

O Ministério Público Federal pediu nesta terça-feira abertura de ação penal contra o ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) Carlos Alberto Brilhante Ustra, hoje coronel reformado, e o delegado Dirceu Gravina, ainda na ativa na Polícia Civil de São Paulo, pelo crime de sequestro qualificado do bancário e líder sindical Aluízio Palhano, preso em maio de 1971, durante a ditadura militar.

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AE
Coronel Ustra é alvo de denúncia do Ministério Público por sequestro na ditadura

Ligado ao grupo Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e vindo de um período de exílio em Cuba, Palhano foi visto pela última vez nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo, já bastante ferido, segundo depoimento de duas testemunhas que estiveram presas na mesma época.

Como o corpo de Palhano nunca foi encontrado, os procuradores trabalham com a tese de sequestro continuado. Este é o mesmo tipo de denúncia oferecida pelo MPF contra o coronel reformado Sebastião Curió , supostamente responsável por cinco sequestros ocorridos na região do Araguaia e cujo paradeiro das vítimas nunca foi esclarecido.

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Os procuradores do MPF montaram um grupo de trabalho para tratar de casos de desaparecimento forçado ocorridos durante o período da ditadura militar. Outras 14 ocorrências semelhantes, ocorridas apenas em São Paulo, estão sendo apuradas e podem também motivar o pedido de abertura de outras ações penais. Se processados e condenados, Ustra e Gravina receberão penas de dois a oito anos de prisão.

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