'Investigação é perda de tempo', diz deputado contrário à CPI

Conhecido por “se lixar” para a opinião pública, Sérgio Moraes (PTB-RS) classificou CPI como jogo orquestrado

Wilson Lima, iG Brasília |

Falhas de comunicação, medo de "supostos revanchismos" e até “economia de tempo e de trabalho” são apenas algumas das justificativas apontadas por senadores e deputados que não assinaram o requerimento da CPI Mista que vai investigar os braços político e empresarial do esquema de contravenção do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira .

Galeria de fotos: Veja quem são os integrantes da CPI do Cachoeira

Agência Câmara
Durante sessão, Congresso cria CPI para investigar negociatas de Carlinhos Cachoeira

Não assinaram o documento de instalação da CPI mista 176 deputados federais e nove senadores. Na Câmara, nomes conhecidos como o do deputado Acelino Popó Freitas (PRB-BA), Paulo Maluf (PP-SP), Inocêncio Oliveira (PR-PE), Jaqueline Roriz (PMN-DF), Sérgio Moraes (PTB-RS) estiveram de fora da lista dos congressistas que oficialmente apoiaram a instalação da CPI. No senado, parlamentares como o presidente do senado, José Sarney (PMDB-AP) e o filho do ministro de Minas e Energia, Lobão Filho (PMDB-MA), também integram esse grupo. A CPI deve ser instalada oficialmente nesta terça-feira à noite.

Saiba mais: Confira lista dos parlamentares que assinaram a CPI do Cachoeira

Conhecido por dizer que “estava se lixando para a opinião pública” em 2009, o deputado federal Sérgio Moraes classificou como “perda de tempo” a investigação tanto na Câmara, quanto no Senado. Ele não está convencido de que a CPI “vá para frente”. “Eu acho que vão cortar a cabeça do Demóstenes (Torres), vão dar um castigo para o (Carlinhos) Cachoeira e a coisa vai ficar meio por aí. Então, eu acho que temos muito mais coisas para fazer”, disse.

Agência Brasil
Sérgio Moraes (PTB-RS): CPI é perda de tempo
“Não sou contra a investigação, mas o resultado dela não vai agradar. Se você pegar e ver, vai perceber que a coisa está mais ou menos orquestrada. Eu acho que é uma perda de tempo fazer alguma coisa que já se sabe até o resultado”.

O deputado Acelino Popó, estreante na Câmara, afirmou que não assinou o documento da CPI por “falhas de comunicação” entre a liderança de seu partido e seu gabinete. Na semana de apresentação do requerimento, ele chegou a ter acesso ao documento mas disse que não iria assiná-lo antes de ler. Resultado: a liderança do partido tirou o documento das mãos de Popó sem a assinatura do parlamentar.

A deputada do Distrito Federal, Jaqueline Roriz informou que não assinou o requerimento porque já viveu algo semelhante. No ano passado, ela foi alvo de um processo de cassação por quebra de decoro parlamentar após ser flagrada em um vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa. Barbosa era operador do esquema do mensalão do DEM em Brasília. Ainda conforme a deputada, a sua assinatura poderia sugerir um sentimento “revanchista” contra outros parlamentares. Apesar disso, ela apoia informalmente as investigações. Contanto que a CPI não seja utilizada para perseguição política na visão dela.

AE
Jaqueline Roriz (PMN-DF): medo de ser taxada como "revanchista"
Mesmo afirmando publicamente que a CPI é “um instrumento importante para perseguirmos a moralidade da coisa pública, para que não haja promiscuidade entre agentes públicos e contraventores”, o deputado Inocêncio Oliveira foi outro que não assinou o requerimento. Ele alegou estar fora de Brasília, realizando exames médicos de rotina. O deputado declarou em seu blog pessoal que acompanhou à distância a reunião do Congresso em que foi feita a leitura do requerimento da investigação.

No senado, houve parlamentares que não viram necessidade de ter seu nome incluído no requerimento. Um exemplo foi o senador cearense Eunício Oliveira (PMDB). “O importante era ter as 27 primeiras assinaturas. Depois da 27ª, assinar ou deixar de assinar é indiferente. Mas não sou contra nenhuma investigação”, disse. “Não tenho nenhum motivo pra não ter assinado. Nunca gostei de CPI, estou no Congresso há 13 anos e nunca participei de CPI. É questão de estilo”, complementou.

Outros senadores, como os maranhenses Clóvis Fecury (DEM) e Edson Lobão Filho (PMDB) justificaram a sua não adesão oficial à CPI pelo fato de não estar em Brasília na semana da coleta das assinaturas. Mesmo assim, Lobão Filho declarou por meio de sua assessoria que tem interesse na CPI; Fecury informou que segue a orientação da bancada do partido.

Leia também: Entenda a rede de 'negócios' do bicheiro Cachoeira, alvo da CPI

iG explica: Entenda a crise envolvendo o senador Demóstenes Torres

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG