“Estou perplexo”, diz Marco Aurélio sobre troca de acusações de ministros do STF

Ministro do Supremo afirmou que quem perde com a briga é a própria Corte e disse que é hora de acender o 'cachimbo da paz'

Wilson Lima, iG Brasília |

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello disse nesta sexta-feira (19) estar “perplexo” com a troca de acusações dos também ministros do Supremo Joaquim Barbosa e Cézar Peluso, que até ontem presidia a mais alta Corte do País. “Tal qual toda a sociedade em geral estou estarrecido, perplexo”. Sem querer entrar no mérito das acusações, Mello afirmou que quem perde mais com o episódio é o Supremo e disse que é hora de “acendermos o cachimbo da paz”.

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Nesta sexta-feira, o ministro do STF Joaquim Barbosa atacou Cézar Peluso em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira (20). Peluso foi acusado pelo colega de manipular o resultado dos julgamentos de acordo com seus interesses. Barbosa assumiu ontem a vice-presidência do STF ao lado de Ayres Britto, que também tomou posse na presidência da Corte na última quinta-feira.

Ao jornal, Barbosa afirmou que “Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais simplesmente para tumultuar e não proclamar o resultado que era contrário ao seu pensamento. Lembre-se do impasse nos primeiros julgamentos da Ficha Limpa, que levou o tribunal a horas de discussões inúteis”.

Barbosa também partiu para ataques pessoais contra Peluso. Chamou o ministro de caipira, tirânico, conservador, desleal etc.

O presidente da OAB também considerou lamentável a troca de acusações entre os ministros do STF. “Esse tipo de discussão pública contribui apenas para a queda de credibilidade do Poder Judiciário”.

Dias antes de deixar a presidência do STF, Peluso fez críticas a Barbosa em entrevista à revista eletrônica Consultor Jurídico. Disse que ele tem um “temperamento difícil”, é “inseguro”e que teria medo de ser qualificado como alguém “que foi para o Supremo não pelos méritos, mas pela cor”. “Dá a impressão que de que tudo aquilo que é absolutamente normal em relação a outras pessoas, para ele, parece ser uma tentativa de agressão. E aí ele reage violentamente”, afirmou na ocasião.

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