Citados em grampos, Perillo e Agnelo terão adversários políticos na CPI

Lista de indicados contém deputados que entraram em conflito com governadores do DF e de Goiás

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Citados nas investigações da Operação Monte Carlo, os governadores Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, e Agnelo Queiróz (PT), do Distrito Federal, terão adversários na Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará os negócios dos empresários de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

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Agência Câmara
Durante sessão, Congresso cria CPI para investigar negociatas de Carlinhos Cachoeira

A lista de nomes que comporá a CPI será oficializada na terça-feira, mas a maior parte dos nomes já foi escolhida pelos líderes dos partidos na Câmara e no Senado. Entre os deputados do PMDB, Íris Araújo (GO) e Luiz Pitiman (DF) são adversários, respectivamente, de Marconi Perillo e Agnelo Queiroz.

Íris é aliada dos ex-governadores peemedebistas Íris Resende e Maguito Vilella, adversários históricos do atual governador de Goiás. Pitman chegou a ser integrante do primeiro escalão de Agnelo, mas rompeu com o governador após uma série de divergências com os grupos do PT instalados no Palácio do Buriti.

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O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) é outro adversário de Agnelo. No ano passado, ele fez duras denúncias contra Agnelo relacionados à gestão dele à frente do Ministério do Esporte. Na semana passada, o tucano acusou o governador de ter usado a estrutura do Estado para investigá-lo irregularmente.

O PMDB do Senado indicou o senado Vital do Rêgo (PB) como presidente da CPI. Relator do Orçamento de 2012, ele transita bem entre os grupos peemedebistas rivais no Senado: ora está ao lado do líder da bancada, Renan Calheiros (AL), ora enfileira-se com Eduardo Braga (AM), líder do governo na Casa.

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Por acordo, o posto de relator caberá a um deputado petista. Essa é maior polêmica do momento. Ex-líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP) tenta se cacifar junto à cúpula nacional do partido. Ele, porém, enfrenta resistência da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), que prefere Odair Cunha (PT-MG) ou Paulo Teixeira (PT-SP).

“Estou em Roma (Itália). Ninguém falou comigo. Estarei à disposição se o partido precisar”, afirmou Teixeira.

Vaccarezza é adversário do grupo de Teixeira, Odair e do líder do PT, Jilmar Tatto.
Nos bastidores, ele aposta no apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ficar com a relatoria da CPI. Oficialmente, porém, ressalta: “Não sou candidato. Apoio qualquer nome indicado pelo Jilmar Tatto, o líder do PT”.

Indicações polêmicas

Ex-presidente da República, o senador Fernando Collor (PTB-AL) fará parte da comissão. Em 1992, ele deixou a presidência após uma CPI que investigou um esquema de corrupção dentro do seu governo.

Outras indicações polêmicas são dos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Ambos enfrentam problemas na Justiça. Cunha Lima, por exemplo, só tomou posse este ano depois que o STF considerou que a Lei da ficha limpa não valeu para as eleições passadas.

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