Ex-presidente foi à Câmara para lançamento de documentário sobre sua trajetória política

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (FHC) defendeu nesta terça-feira (17) a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as denúncias de envolvimento de políticos com o empresário goiano Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , suspeito de comandar uma rede de exploração de jogos ilegais. FHC disse que o país "se cansou" da corrupção e que a criação da CPI será uma demonstração de força do Congresso Nacional.

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FHC passa tropas em revista ao subir a rampa do Congresso para ser homenageado
Dida Sampaio/AE
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"O Congresso, em certos momentos, tem que fazer [investigar atos de corrupção]. E acho que esse é o momento que tem que fazer", disse o ex-presidente após cerimônia de lançamento de um documentário que descreve a trajetória política dele, produzido pela TV Câmara.

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"Acho bom [a criação da CPI]. O país precisa neste momento passar a limpo essas questões com serenidade. Nos cansamos de ver o grau de corrupção existente. E não estou criticando a, b ou c porque, infelizmente, atinge a quase todos, não [só as] pessoas, mas [também os] partidos", argumentou FHC. "Acho que o país se cansou [da corrupção] e esse é o momento de o Congresso crescer, fazer uma CPI que vá à raiz das questões, que não seja apenas para acusar sem base".

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Nesta terça-feira, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvati, negou que o governo queira recuar da instalação da CPI mista para investigar as irregularidades envolvendo o bicheiro. “Não tenho qualquer informação sobre recuo. Estamos focados em fazer com que as votações continuem dentro da normalidade”, disse Ideli. A ministra reuniu-se hoje por uma hora e meia com os líderes da base governista para um café da manhã.

Uma das avaliações é que a CPI pode ampliar seu alcance e atingir alvos políticos próximos ao Planalto, e não apenas o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), também alvo de processo por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado. Também os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF), citados em escutas telefônicas da Operação Monte Carlo, podem ser rifados, embora publicamente tucanos e petistas defendam os dois.

A previsão é que a CPI seja instalada essa semana assim que recolher 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.

Com Agência Brasil

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