Provável dono da presidência da comissão, partido quer mostrar que pode ajudar ou atrapalhar presidenta

Demóstenes, alvo da CPI, cumprimenta Renan, defensor da investigação
Beto Barata/AE
Demóstenes, alvo da CPI, cumprimenta Renan, defensor da investigação
O PMDB formula estratégia para lucrar com as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI ) que vai apurar o escândalo do bicheiro Carlinhos Cachoeira. O partido quer deixar claro que pode ajudar mas também atrapalhar o governo a depender do raio de investigações da comissão a ser instalada nesta semana.

As verdadeiras intenções do PMDB são tratadas apenas nos bastidores, entre lideranças do partido com o restante da base aliada. O movimento pró-CPI partiu da bancada do Senado, sob o comando do líder Renan Calheiros (AL). Junto com o líder do PTB, Gim Argello (DF), ele foi um dos principais incentivadores da comissão de inquérito.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), somou-se ao grupo que vê, na CPI, uma oportunidade para se valorizar junto ao Palácio do Planalto. Maior bancada no Senado, o PMDB tem o direito de indicar o presidente da comissão, que dará o ritmo da condução dos trabalhos, como votação de convocações e requerimentos.

Já se sabe que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiróz (PT), será um dos alvos da CPI. Se a presidenta Dilma Rousseff  decidir sair em defesa do petista, o PMDB pretende cobrar caro para evitar sua convocação. “Vamos mostrar o quanto somos importantes para o governo”, afirma um peemedebista que integra o grupo de Renan Calheiros.

Em rota de colisão com Renan, o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), sempre se posicionou contra a CPI. “As investigações já estão no Ministério do Público, na Polícia Federal”, afirmou. Ele, porém, acabou sendo voto vencido, sobretudo porque a cúpula nacional do PT resolver bancar a realização da CPI.

Disposto a usar a CPI para se mostrar ‘útil’ ao governo, o PMDB não cedeu nem aos pedidos do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que era contra a comissão. Isso porque a empresa Delta Engenharia, um dos alvos da investigação, tem contratos milionários com o governo fluminense. Um dos donos da Delta, Fernando Cavendish é amigo de Cabral

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