Governo só negocia depois que MST sair do prédio do ministério

Sem-terra invadiram prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário hoje cedo para pedir avanços na reforma agrária

Agência Brasil |

O Ministério do Desenvolvimento Agrário divulgou nota oficial nesta segunda-feira (17) informando que só irá retomar negociações com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), iniciadas no último dia 11, depois que os manifestantes desocuparem o prédio. A entrada está interditada e o oitavo andar foi todo ocupado. Segundo José Damasceno, da coordenação nacional do movimento, a ocupação teve início às 5h40 e abre a “jornada de luta” na campanha do abril vermelho. De acordo com o MST, o protesto reúne 1,5 mil pessoas. 

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A nota explica que o ministério mantinha uma agenda de negociações com o MST que se torna "incompatível o comportamento iniciado na manhã desta segunda feira".

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Sem-terra do MST ocupam prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário

A nota, distribuída pelo ministro da pasta, Pepe Vargas, acentua que já estão em andamento "medidas jurídicas cabíveis para reintegração de posse que garanta a normalidade de funcionamento" dos três ministérios instalados no bloco A da Esplanada dos Ministérios.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, também disse que as conversas com o MST ficarão suspensas enquanto o prédio do ministério e instalações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estiverem ocupados. Carvalho ressaltou, no entanto, que compreende a iniciativa dos militantes do MST e que tem que "respeitar eles terem decidido fazer essas ocupações".

"É nosso dever preservar o patrimônio público. Eu não posso me sentar com o movimento enquanto ele estiver ocupando. Mas assim que eles desocuparem, nós retomaremos a negociação, que nunca são fáceis. Nós temos uma demanda histórica, mas vamos fazer de tudo para atender às reivindicações justas deles", disse o ministro, logo após participar de solenidade em comemoração aos 110 anos da Universidade Cândido Mendes, no Centro do Rio.

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Além do Desenvolvimento Agrário, ocupam o prédio os ministérios do Esporte e das Cidades, além da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

A nota termina dizendo que, depois da desocupação, "será dada continuidade aos entendimentos, dentro do espírito democrático e republicano que é a marca" do governo. O MST promete ficar acampado na área e estima que até amanhã (17) o protesto será ampliado com a presença de 2 mil trabalhadores no local.

Os manifestantes reivindicam "medidas concretas" para a reforma agrária, como política de crédito para os assentamentos, construção de casas e manutenção de escolas na zona rural. Eles alegam que apenas 10% dos assentamentos prometidos pelo governo federal para 2011 foram efetivamente concretizados e que 70% do orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para este ano foi contingenciado – impedido de ser utilizado por medida de contenção de gastos.

Do carro de som, os manifestantes informaram que 1.500 pessoas ocuparam terras no Ceará, nesta segunda-feira, e também a sede do governo, fato confirmado pelo gabinete do governador. Em São Paulo, foi invadida uma fazenda no Pontal do Paranapanema e outra em Pernambuco, segundo o MST. Em Mato Grosso, foi fechada uma rodovia federal e, em Mato Grosso do Sul, 300 famílias ocuparam terras e a sede do Incra.

O movimento dos trabalhadores do MST foi organizado para marcar a passagem, amanhã (17), dos 16 anos do massacre de Eldorado do Carajás e também do Dia Internacional da Luta pela Reforma Agrária. De acordo com a Polícia Militar, estão concentrados nesta manhã, em frente ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, cerca de 400 manifestantes, enquanto os líderes do movimento falam em 1.500 trabalhadores.

Com Agência Estado

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