Lupi admite pressões para sair do Ministério do Trabalho

"Pode ser que o máximo que eu posso não esteja à altura do que Dilma acha", diz ministro em entrevista à TV iG

Adriano Ceolin e Danilo Fariello, iG Brasília |

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, falou à TV iG sobre as pressões para deixar o cargo. Ele reconheceu que enfrenta desentendimentos com o seu partido, o PDT, e afirmou que tomou medidas que irritaram grupos empresariais. Lupi está no governo desde março de 2007, quando foi nomeado por Luiz Inácio Lula da Silva . Em janeiro deste ano, foi mantido pela presidenta Dilma Rousseff na pasta.

“Sou desafiador. Não temo nada nem a ninguém. Sou do time de Leonel Brizola. Tenho minha consciência tranquila de estar fazendo o máximo que eu posso. Pode ser que o máximo que eu posso não esteja à altura do que ela (a Dilma) acha ou do que o partido", disse “Eu com a presidenta Dilma tenho uma relação de uma fraternidade e uma sintonia muito grande. Como tive com o presidente Lula".

Nas últimas semanas, Lupi entrou na lista dos ministros que poderão deixar o cargo na reforma ministerial que deverá ocorrer na virada do ano. Ele disse que a maioria das especulações partem de pessoas descontentes com sua gestão no Ministério do Trabalho. "Quando ousei falar que o dinheiro público tinha de ter contrapartida social foram pelo menos 10, 12 editoriais xingando até minha pobre mãezinha". 

Diante das recentes greves, Lupi afirmou que tende a ficar ao lado dos trabalhadores, mas disse acreditar que as paralisações deverão acabar logo. "A minha parte do trabalhador quer puxar um pouquinho para o seu lado. Eu faço eu mesmo. Se eu puder ter 30% de aumento por que vou aceitar 10%? Agora ganho real estamos tendo", disse. "Daqui a pouquinho vai sair o acordo", completou.  

O ministro do Trabalho também falou sobre o lançamento do programa e do projeto de lei que estabelecerão as novas regras para contratação de trabalhadores domésticos, de acordo com a convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovada este ano. O Brasil ratificou a decisão que estabelece que todos as empregados devem ter contrato assinado e um limite para a jornada de trabalho.

 "( O lançamento do programa demora ) Não mais do que uns 15 a 30 dias. Está na base dos cálculos do Ministério da Fazenda, fazendo os impactos", disse. "O Estado vai ganhar. São cinco milhões de brasileiras e brasileiros que estão fora do mercado formal. ( Com o projeto ) você está quebrando esse crime que a sociedade faz com quem trabalha em casa como se fosse trabalhador de segunda categoria". completou.

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