Tamanho do texto

Padastro manteve enteada como refém durante seis horas na Grande SP, mas Grupo de Ações Táticas Especiais garantiu final feliz e prisão do agressor

Ação do GATE libertou reféns em Guarulhos, na Grande São Paulo, no início da madrugada desta quarta-feira
Divulgação/Polícia Militar de São Paulo
Ação do GATE libertou reféns em Guarulhos, na Grande São Paulo, no início da madrugada desta quarta-feira

Marco Antônio de Jesus trabalha como ajudante de pedreiro e mora em uma modesta casa situada próximo à Rodovia Ayrton Senna, em Guarulhos (SP). Sem antecedentes criminais, nada indicava que um dia seu caminho cruzaria com o dos homens e mulheres da tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo. Mas seus próprios erros fizeram com que isso acontecesse na noite dessa terça-feira (26), numa história que poderia ter terminado em tragédia não fosse pela atuação do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) .

O GATE é uma tropa de elite de resposta rápida da Polícia Militar paulista, formada por PMs altamente treinados, aptos a resolver crises policiais complexas que exigem treinamento bastante específico e uso de equipamentos e armamentos especiais. A atuação destes Policias acontece tipicamente em situações urbanas que envolvam criminosos que estejam barricados, em casas de sequestros, resgate de reféns em cativeiros e ocorrências com bombas.

Para isso o Grupo de Ações Táticas Especiais conta com quatro equipes que possuem diferentes especializações. A primeira, com pouca visibilidade mas extremamente eficiente, é composta pelos Negociadores, profissionais que salvam múltiplas vidas e que raramente possuem seu trabalho divulgado e reconhecido. São eles que quase sempre conseguem convencer sequestradores a se entregar e libertar reféns preservando a vida de todos, usando técnicas de psicologia bastante específicas e avançadas de dialogo. É um trabalho desgastante e cansativo que costuma levar horas.

O segundo time é composto pelos Atiradores de Elite que tem como função observar do teatro de operações e passar informações para o Comandante poder tomar decisões. Caso o Atirador perceba que o refém, ou os Policiais envolvidos na ocorrência estejam em perigo de morte iminente, ele tem como função neutralizar o agressor.

A terceira equipe é a de Invasão Tática, composta por times de quatro a seis PMs cuja função é invadir o cativeiro ou o local onde o criminoso esteja barricado e salvar os reféns. É um trabalho de extrema coragem e perigo já que ao entrar no ambiente alvo as chances destes Policiais serem recebidos a tiros são altíssimas.

Tanto a Invasão Tática como o Atirador de Elite são recursos usados pelo comando do GATE como última opção, o foco é sempre resolver a crise através dos Negociadores.

O quarto grupo de Policias do GATE é o Esquadrão de Bombas, outra equipe pouco conhecida, mas que atua quase que diariamente em ocorrências com explosivos. Esses homes possuem um perfil diferente, seu trabalho consiste em segurar o risco da morte nas suas próprias mãos.

Apesar de vestirem um sofisticado e eficaz traje de proteção, os PMs de Esquadrão de Bombas não usam nenhum tipo de proteção nas suas mãos para poderem manipular de forma adequada os explosivos deixados pelos criminosos. Esse é outro trabalho extremamente técnico que demanda muita coragem, mas que também é pouco conhecido pela população.

O GATE em ação 

A tropa foi acionada no início da noite de terça-feira, quando o ajudante de pedreiro Marco Antônio esfaqueou uma de suas enteadas, uma jovem de 16 anos, e decidiu manter as duas outras filhas de sua esposa sob a ameaça de uma faca de cozinha.

Os primeiros a chegar ao local foram os policiais do 44º Batalhão da PM, que conseguiram convencer o indivíduo a libertar uma das crianças, de 12 anos de idade. Mas a menina Maria Cecília, de apenas 4 anos, permaneceu sob a ameaça do padastro, situação que exigia o trabalho de  uma equipe especializada.

De acordo com o Major Racorti, Comandante de Operação do GATE que atuou como gerente da crise no local, o agressor estava "emocionalmente perturbado". "Tudo colaborava para um final trágico", destacou o Major.

Testemunhas relataram aos policiais que o agressor Marco Antônio estava sob o efeito de drogas e havia discutido com sua esposa momentos antes de atacar as enteadas.

Leia também: E se terroristas decidissem atacar São Paulo? O GATE resolve

Veja imagens da ação do GATE na Grande São Paulo:

A situação obrigou o GATE a utilizar todas suas alternativas táticas, trabalhando os times em conjunto sob o comando da equipe de gerenciamento de crises. Equipes de intervenção foram posicionadas estrategicamente nos acessos à casa, enquanto as equipes de negociação permaneceram em constante trabalho para convencer o agressor a libertar a refém.  Também foram mobilizadas equipes de atiradores de precisão, que repassavam informações em tempo real a todos.

A negociação foi extensa e teve momentos tensos, em que o perigo mostrava-se acentuado. Focados na missão de resgatar a pequena Maria Cecília a salvo, os negociadores do GATE conseguiram demover o agressor de seu intento após cerca de seis horas de tratativas, já por volta da meia-noite. Marco Antônio foi preso e encaminhado a uma delegacia da região.

"Mesmo após todo o estresse sofrido, a pequena Maria Cecília ainda terminou sorrindo e conversando com os Policiais que estavam próximos. O sorriso daquela criança ao ser entregue à mãe pelo Major Racorti, foi o melhor pagamento que qualquer operacional envolvido na ocorrência poderia querer", expressou o Policial após o fim do caso.

Leia também: Cavalaria da PM dá presente de Natal para o crime na região central de SP

Vídeo mostra momentos após o fim das negociações do GATE:


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.