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Brasileiro sabe votar , diz sociólogo

Para Antonio Lavareda, escolaridade e hábito fazem um eleitor qualitativamente melhor; um jovem de São Paulo de 25 anos poderá ter votado 25 vezes

Mariana Castro, iG São Paulo |

AE
Lavareda (à direita) em lançamento de seu livro
Lavareda (dir.) em lançamento de seu livro

O brasileiro, apesar do que disse Pelé, sabe votar. Ou pelo menos está aprendendo. É nisso que acredita o sociólogo com pós-graduação na Georgetown University e diretor de uma empresa de consultoria e estratégia política, Antonio Lavareda. Com experiência em 76 campanhas eleitorais, três delas para presidente, ele está otimista.

Para o sociólogo, escolaridade e hábito são importantes para fazer um consumidor qualitativamente melhor. O mesmo vale para o eleitor. Ele lembra que de 1985 para cá o brasileiro passou a ter mais escolaridade e o analfabetismo caiu. Além disso, o eleitor se habituou a votar.

Um jovem de São Paulo de 25 anos poderá ter votado 25 vezes. No dia da eleição são várias escolhas. Um cidadão de 42 anos ou mais poderá ter votado cerca de 60 vezes, levando em consideração plebiscito, referendo, diz.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de outubro de 2009, pessoas entre 25 e 50 anos representam 67% do eleitorado. Em outubro de 2000, 7.58% dos eleitores declararam ser analfabetos. O número foi para 6,1% em 2009. Já os que disseram ter o segundo grau completo passaram de 9,35% para 12,54% em 2009. Em 2000, 3.23% afirmaram ter superior completo contra 3.64%, em 2009.

Na opinião de Lavareda, o fato de o eleitor estar mais experiente e escolarizado faz com que o nível das campanhas publicitárias também seja mais alto. Ou seja, os marqueteiros políticos hoje têm mais trabalho para conseguir influenciar o eleitor.

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Lavareda

Para Lavareda, escolaridade e hábito fazem um eleitor qualitativamente melhor

Resultado das urnas

Apesar da escolaridade e da experiência, o resultado das urnas ainda mostra que políticos com ficha suja podem ter o voto do eleitor. Ou que parlamentares envolvidos em escândalos de corrupção continuam ocupando cadeiras no Congresso Nacional. Jader Barbalho, por exemplo, chegou a ser preso em 2002 e foi reeleito em 2006. Políticos envolvidos no mensalão, esquema de compra de votos de parlamentares, mantiveram-se na cena política em 2006.

Quando alguém acusado de alguma coisa volta como deputado federal é por causa do sistema eleitoral, acredita Lavareda. Jader Barbalho, por exemplo, dificilmente ganharia no sistema distrital. Se fosse sistema de lista dificilmente o partido colocaria na disputa um candidato que tivesse sobre suspeição.

Para Lavareda, o brasileiro poderia votar ainda melhor se houvesse contribuição do sistema eleitoral e mais informação para o eleitor. O Brasil adota o sistema eleitoral proporcional, além do majoritário.

Segundo ele, o sistema eleitoral torna a representação política opaca e não é transparente. Apesar de os partidos terem pouca importância na sociedade, no Congresso essa importância é fundamental. Ninguém sabe quem é do PSC, mas tem alguém do PSC no Congresso com poder de barganha, diz. 

O sociólogo critica também a falta de um debate político permanente, principalmente em veículos de comunicação como a TV, que acessa grande parte da população. Para ele o eleitor poderia votar melhor se estivesse mais bem-informado.

Mas tirando raríssimas exceções, é difícil dizer que o eleitor votou errado. Além de ser intelectualmente arrogante.

2010

As eleições do ano que vem chegam marcadas por dois fatos inéditos: será a primeira eleição sem Lula na disputa presidencial e duas mulheres, Dilma Rousseff e Marina Silva, estarão no páreo. A competição feminina é vista com bons olhos. Para Lavareda, a disputa entre elas faz a democracia brasileira dialogar com o que ocorre em outros lugares do mundo - como Alemanha, que tem Angela Merkel como primeira-ministra, e Chile, com Michelle Bachelet na presidência.

O fato de Lula não estar entre os candidatos sinaliza o fim de um ciclo, para o sociólogo. Segundo ele, Lula ajudou candidatos da oposição a vencer. Na campanha de 1994, por exemplo, Lula despertava receio em relação a não continuidade do Plano Real, do candidato concorrente Fernando Henrique Cardoso. Por outro lado, ao ser vitorioso nas eleições de 2004 e 2006 o atual presidente mostrou que todos os partidos poderiam chegar ao poder. E teria sido o maior exemplo de mobilidade social, ao sair de uma classe desprivilegiada da sociedade para chegar à presidência.

O presidente protagonizou a primeira etapa da democracia brasileira, depois do período de autoritarismo, diz Lavareda. 2010 vai ser o começo do fim.

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