Produção nacional da vacina contra o H1N1 começa em agosto com capacidade de 50 milhões de doses anuais

O diretor da Fundação Butantan, José Guedes, afirmou em entrevista ao iG que a produção nacional da vacina contra a gripe suína na fábrica paulista só começará em todas as fases a partir de 2010. Por ora, a participação do Instituto ligado ao governo de São Paulo será apenas de embalar as doses. Guedes disse que a fábrica paulista de imunização tem capacidade inicial de 50 milhões de doses por ano, o que pode, em um futuro próximo, possibilitar a ampliação da população selecionada para receber a vacina. Confira a entrevista.

Fernanda Aranda, iG São Paulo |

A nova onda de Influenza A deve chegar ao Brasil no próximo inverno. Como estão os preparativos para a produção nacional no Butantan?
As cepas (como se fosse o código genético do vírus) começaram a chegar agora ao Butantan. No início, não termos uma produção completa. Receberemos 17 milhões de doses a granel e o nosso papel será de envasar essa parcela para a distribuição. Em 2010, por volta de agosto, teremos um nicho de produção própria no Instituto Butantan.

A fábrica de vacinas já passou por todas as fases de acreditação necessárias para o funcionamento?
Uma equipe francesa está fazendo as últimas avaliações. Algumas fases já foram cumpridas como a avaliação da equipe de recursos humanos que atua na fábrica e também a qualidade dos ovos utilizados na produção das doses.

O Ministério da Saúde ainda está em fase de definição dos grupos da população a serem vacinados contra a gripe A. Essa definição interfere de alguma forma na produção do Instituto?
Diretamente não. Para esse início, o Ministério encomendou um total de 83 milhões de doses que chegarão de fontes diferentes. Algumas virão dos Estados Unidos, de pelo menos dois laboratórios diferentes. Isso, em minha avaliação, exige planejamento de distribuição geográfica e monitoramento do comportamento dessas vacinas, já que elas foram produzidas por laboratórios distintos. Neste primeiro momento, não há disponível em lugar algum a quantidade ideal de vacinas para nenhum país do mundo. A definição do grupo a ser vacinado depende da limitação das doses disponíveis. Só então as prioridades são traçadas.

As informações iniciais são de que as crianças, grávidas e portadores de doenças crônicas farão parte do grupo vacinado. O que muda quando o Butantan passar a oferecer a vacina?
Todo o esforço do Instituto Butantan é de abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Os laboratórios privados não trabalham pensando em saúde pública, por isso a nossa produção é diferenciada. Quando a produção própria estiver consolidada pode ser que o grupo vacinado gratuitamente seja ampliado.

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