Preços de imóveis disparam com melhorias

Melhorias urbanísticas em áreas degradadas resultam em benefícios, mas também em problemas. Um deles é a chegada de mais moradores, atraídos por creches, escolas, hospitais e a natural valorização da área. ¿As melhorias são bem-vindas, mas todos perdem se a área urbanizada se expandir¿, lembra o arquiteto Sérgio Magalhães. ¿O crescimento da ocupação da cidade, organizada ou desorganizada, não é benéfico para o Rio. Reduz as possibilidades de interação que devem caracterizar uma cidade¿.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

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    Estudos realizados nas comunidades beneficiadas pelo programa Favela-Bairro pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippur), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostraram elevação do preço dos imóveis e a atração de moradores de outras favelas, que chegam com maior poder aquisitivo.

    Os pesquisadores identificaram um dinâmico mercado de compra, venda e aluguel de imóveis, responsável pela ampliação e adensamento de favelas e loteamentos irregulares, na definição da coordenadora executiva do Ippur, Andréa Pulici. Há um mercado crescente de aluguéis, com preços diferentes do mercado formal, formados pela própria favela, pelos laços familiares, pelas redes de confiança e solidariedade, pela proximidade do local de trabalho, entre outros fatores.

    Para Andréa, essa valorização é uma tendência natural, fruto de um boom que se segue imediatamente às novas obras. Depois de um ano a bolha diminui, afirma. Foi o caso do Morro Dona Marta, em Botafogo, onde o preço dos imóveis quadruplicou. O movimento se repetiu no Cantagalo, em Copacabana, outro local de obras do PAC, ambos na zona sul carioca. A Associação de Moradores dali calcula que o preço de um imóvel para venda chegou a subir de R$ 30 mil para R$ 50 mil em pouco mais de um ano. Nos aluguéis, a mesma coisa.

    Para buscar conter excessos, os formuladores do PAC previram certas regras. Por exemplo, quem trocou a casa onde morava pelo apartamento construído nas novas obras não pode nem vender nem alugar durante cinco anos. Só depois desse prazo é possível ter a posse definitiva do imóvel. No Complexo do Alemão, 94% dos 26 mil domicílios são casas, e apenas 6% dos moradores vivem em apartamentos, segundo dados do censo realizado pelo governo antes do início das obras.

    O já inaugurado Condomínio Itaoca, na parte baixa do complexo, é uma das vitrines das intervenções já inauguradas. São 152 apartamentos de 48 metros quadrados, divididos em cinco blocos. No fundo do condomínio há uma pracinha, um campo de futebol e uma quadra poliesportiva, além da oferta de cursos gratuitos para bombeiro hidráulico, eletricista, manicure e pedicure. O modelo se repete no Complexo de Manguinhos. Em ambos, porém, os moradores se queixam que a violência ainda faz parte da rotina.

    É uma experiência nova para todo mundo, governos, engenheiros e moradores, conta o engenheiro Carlos Eduardo Magalhães, um carioca de 47 anos que trabalha há 20 para o governo estadual, atuou no início das obras do Dona Marta e agora coordena as obras em Manguinhos. É algo novo pelo menos nessa escala, emenda. O desafio, segundo ele, será a manutenção dos equipamentos construídos.

    O primeiro passo é a valorização por parte dos moradores. Em Manguinhos, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) identificou a mobilização e o entusiasmo dos moradores. Dos 400 entrevistados, 42% responderam que é muito alta a expectativa de que as obras do PAC cumpram seus objetivos. Feita entre 413 moradores do asfalto, a mesma expectativa positiva se revela em apenas 17% dos consultados.

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