Philip Roth, Penguin e Laurentino Gomes são destaques da literatura em 2010

O escritor americano Philip Roth, 76, terá novamente a chance de encontrar o Nobel em 2010. Roth, uma lenda literária surpreendentemente produtiva, tem sido, em vão, uma das apostas mais freqüentes dos últimos anos para receber o prêmio da Academia.

Cadão Volpato, iG São Paulo |

Talvez seja hora de reparar a injustiça: Roth é o maior talento americano em atividade, senhor de um universo próprio que mistura as aflições do homem comum, de classe média e origem judaica, metido nas encrencas disparadas pela busca humana de auto-conhecimento e, claro, sexo. O Complexo de Portnoy (1969) é um de seus romances mais conhecidos, mas, nos últimos anos, Roth vem lançando um livro atrás do outro.

Novo romance de Philip Roth, "A Humilhação", chega ao Brasil em maio

O mais recente, The Humbling, a ser lançado em maio do ano que vem pela Companhia das Letras com o título de A Humilhação, teve uma acolhida polêmica. Os jornais ingleses não gostaram nem um pouco e The Guardian cravou que o escritor estaria vivendo o seu declínio. O ator Al Pacino, porém, que jamais havia comprado uma obra para levá-la ao cinema, caiu de amores pelo livro e deve levá-lo ao cinema também em 2010. Digirido por Barry Levinson, o mesmo de Rain Man, Pacino fará o papel do velho e decadente ator que se apaixona por uma mulher mais jovem e se renova. A velhice é uma das obsessões temáticas do inesgotável Philip Roth.

O próximo personagem literário de 2010 pode ser uma ave. O clássico pingüim, símbolo da Penguin Books, chega ao Brasil via Companhia das Letras. As duas editoras assinaram um acordo para publicar o selo Penguin  Classics no país. Os primeiros doze títulos serão lançados no segundo semestre de 2010.

O selo editará o catálogo da Penguin Classics, fundada em 1946, no formato internacionalmente reconhecido da coleção, pequeno e atraente, mas investirá também em clássicos da língua portuguesa, embalados no design listrado do início da Penguin. A Penguin Companhia preservará nos volumes brasileiros as introduções e notas que distinguem as edições inglesas, e só isso já vale os livrinhos, criados originalmente para democratizar a leitura nas estações de trem britânicas. Em 2010, o melhor da literatura local e universal, em formato compacto e bonito, chegará a um número maior de leitores brasileiros, o que não é pouco.

O paranaense Laurentino Gomes suspendeu as mensagens que vinha postando para mais de 2000 seguidores no Twitter  para concluir 1822, um dos livros mais aguardados do ano que vem. 1822 é uma espécie de seqüência histórica do brilhante e muitíssimo bem-sucedido 1808, que conta de forma elegante e inteligente as patéticas aventuras da família real no Brasil. Dessa vez, Laurentino fez várias viagens de reconhecimento para falar da independência da nação.

"1822", do paranaense Laurentino Gomes, vai enfocar a independência do Brasil

Esteve no Piauí, visitando o local da Batalha do Jenipapo, na qual morreram entre 300 e 400 brasileiros em 1823; foi a Salvador ver a festa do Dois de Julho, que comemora a expulsão dos portugueses da Bahia no mesmo ano; e esteve no Porto, em Lisboa e no arquipélago dos Açores, onde D. Pedro viveu depois de deixar o Brasil. Agora, afastado do jornalismo e dedicando-se à literatura em tempo integral, Laurentino recolheu-se a Itu, no interior de São Paulo, para digitar a versão final do livro, a sair pela Nova Fronteira em setembro de 2010. 

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