Pela primeira vez o Censo poderá ser respondido pela internet

Para os cerca de 60 milhões de brasileiros com acesso à internet, a coleta de dados do Censo em 2010 promete uma inovação e tanto: a possibilidade de responder aos questionários usando a rede, quando for mais conveniente e sem a presença do recenseador.

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

É uma novidade que já foi testada em alguns países, como a Austrália, mas que, no Brasil, nessa primeira vez, deve ser usada de forma tímida. A expectativa é de que o número de questionários preenchidos dessa forma não chegue a 5%, ou cerca de 3 milhões de respostas.

Todos os lugares onde o morador preferir responder ao questionário pela internet, ele vai ter essa opção. Ele vai receber envelope lacrado do recenseador. Haverá um ticket para ele entrar na página do IBGE usando aquele código. Então ele abre, digita a senha, e tem acesso ao questionário, explica o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.

Medo da violência

O uso da internet é uma solução que pode facilitar a vida dos recenseadores que não conseguem ter acesso a alguns domicílios nas cidades grandes. Eles enfrentam dois empecilhos principais, ambos derivados da vida moderna. O primeiro é o medo da violência. Moradores temem abrir as portas para pessoas que não conhecem. O segundo problema é que cerca de 1/3 das residências têm apenas um ou dois moradores, que muitas vezes trabalham fora e são difíceis de serem encontrados em casa no horário comercial. Nessas situações, é possível agendar uma visita. Ou preencher o questionário pela internet.

É importante salientar que o Censo é uma pesquisa domiciliar. A contagem é feita a partir das residências. E as informações coletadas sobre os seus moradores têm como data base o dia 31 de julho de 2010, véspera do início da coleta de dados. Se um recenseador bate com a cara na porta, ele é obrigado a voltar ao mesmo local outras vezes. Também pode usar o Correio para solicitar o agendamento de uma visita. Se mesmo assim não houver resposta, o IBGE costuma checar o consumo de energia com as empresas concessionárias para conferir se a residência está vazia.

Nunes observa que é comum ouvir reclamações de pessoas que não foram entrevistadas duvidando da acuidade dos dados e da eficiência do IBGE. Por isso, ele faz questão de afirmar que o importante é que alguém na residência tenha respondido. Muitas vezes foi um pai, uma avó, ou mesmo uma empregada sem vínculo familiar mas que tem como dar as informações mais básicas.

Ele já foi questionado sobre isso até por membros do governo. E diz que, sabendo o endereço, é possível informar ao inquisidor quem respondeu ao formulário em seu domicílio.

Outras novidades tecnológicas

Mesmo quem não optar pelo uso da internet ao responder o Censo 2010 terá seus dados coletados de forma digital. Os recenseadores usarão equipamentos de mão ¿ do tipo PDAs. É bom lembrar que no último Censo, há 10 anos, todos os formulários eram em papel. E as respostas tinham que ser escaneadas. A informatização permitirá uma rapidez maior no processamento do material. Os primeiros resultados deverão ser divulgados já em dezembro de 2010, pouco mais de um mês após o término do trabalho de campo.

O IBGE tentou usar netbooks, mas considerou que o computador portátil não é prático. O PDA cabe na palma da mão. Com o netbook, o recenseador tinha que segurar o equipamento com uma mão e escrever as respostas com a outra. Ele é recebido em pé, no sol, na rua, fazendo a entrevista. Essa vai ser a realidade de 2010, explicou Eduardo Nunes. Aliás, eis outra novidade que o Censo deve revelar: a recepção pouco calorosa, atrás das grades ou do portão, antes vista apenas em metrópoles, agora é tendência nas cidades de tamanho médio.

A questão da violência urbana também influiu na decisão de abandonar a ideia de usar os netbooks. Cinco funcionários do IBGE que trabalharam neste semestre no censo experimental em Rio Claro, no interior de São Paulo, tiveram seus equipamentos roubados durante a coleta de dados.

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