Para especialistas, corrupção e salários baixos prejudicam polícia

Elogiada pelas UPPs, a Polícia Militar do Rio é duramente atacada quando se trata de falta de preparo, baixos salários e corrupção. Dados do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), da Universidade Candido Mendes comparam números da polícia do Rio e de São Paulo. No Rio, para cada pessoa morta são 265 presos. Já a polícia paulista tem um morto para cada 1.851 presos. A taxa de homicídio do Estado do Rio, de 35,9 mortos por 100 mil habitantes corresponde a quase quatro vezes a de São Paulo, de 10,5 por 100 mil habitantes (dados de 2007).

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

 No Estado do Rio tem morrido, sistematicamente, mais de mil por ano. As polícias norte-americanas, muito criticadas pela brutalidade, matam, em média, 350 pessoas por ano em confrontos, compara o antropólogo Luiz Eduardo Soares. Em recente entrevista ao iG, ele criticou o governo de Sergio Cabral: Sem mudar as polícias nada há a fazer, disse Soares, ex-secretário de Segurança Pública na gestão de Anthony Garotinho.

Os problemas envolvendo as polícias do Rio não se restringem às mortes. Especialistas são unânimes ¿ e o secretário José Mariano Beltrame reconhece ¿ em ressaltar o peso da tradição de corrupção e do fato de ter os piores salários do Brasil. A corrupção de quem deveria combatê-la é a pior das corrupções, opina o sociólogo Gláucio Soares, do Iuperj. Há vários casos de controle da corrupção policial, como os de Bogotá, Nova York e tantos mais. Esses programas foram duros, provocaram a expulsão de muitos corruptos, mas foram também muito criticados.

Salários ruins significam piores condições de trabalho para os policiais e a consequente deficiência nas operações. Como não há dinheiro para pagar salários mais decentes, faz-se uma escala de três dias de folga para cada 24 horas seguidas de trabalho. Essa escala facilita o segundo emprego ¿ uma prática desaprovada pelo secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Mas ele admite que o chamado bico só será reduzido com melhoria salarial. Um policial em início de carreira ganha R$ 1.277,67. A média nacional é de R$ 1.814,96.

Sem caixa para conceder aumentos, o Rio aposta nas gratificações. Além de uma gratificação de R$ 350 a toda a corporação, integrantes das UPPs ganham um valor adicional. O Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública), do governo federal, também oferece uma bolsa para quem ganha até R$ 1.700 e participa de cursos de reciclagem.

Em 2010 o governo federal promete investir R$ 900 milhões extras, num programa de segurança voltado para a Olimpíada de 2016. É uma espécie de Pronasci paralelo para o Rio continuar o trabalho de qualificação policial, das unidades pacificadoras e de maior renda para a polícia, diz o ministro da Justiça, Tarso Genro. O Rio merece tratamento especial, está interessado em melhorar o treinamento e o salário de seus policiais.

Com Lucas Ferraz, iG Brasília

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