País corre o risco de ter apagão logístico por falta de caminhões, diz Klabin

Basta olhar em volta. Do trânsito travado nas grandes metrópoles, às filas nos aeroportos, passando pela ameaça de apagão ou à falta de mão-de-obra, o País paga um preço alto por seu crescimento. Enquanto as empresas buscaram ganhar mercado e expandir seus negócios freneticamente nos últimos anos, os investimentos públicos não acompanharam o mesmo ritmo. O resultado se vê nas ruas. Um balanço sobre os investimentos esperados para 2010 mostra que as empresas estão dispostas a aplicar recursos para eliminar parte dos problemas da infraestrutura brasileira, como mostram os textos a seguir.

André Vieira, iG São Paulo |

Depois da forte freada da economia no fim de 2008, muitas empresas reduziram substancialmente seus investimentos. No entanto, com a melhora das expectativas, que não confirmou os piores cenários pintadas para a maior crise desde a Grande Depressão, nos anos 1930, as empresas notaram a arrancada do crescimento nos últimos meses.

AE

Montadoras suspendem férias: vendas devem crescer 20% em 2010

A recuperação era prevista, mas surpreendeu. "Em quase 40 anos, jamais tinha visto uma virada tão rápida e acelerada da economia", diz Paulo Roberto Petterle, diretor de operações da Klabin, maior fabricante brasileira de papel para embalagens, produto que serve de termômetro para medir o aquecimento da economia.

A Klabin é uma das empresas que tem encontrado dificuldades de achar caminhões para transportar sua produção de mais de 150 mil toneladas por mês, proveniente de mais de 15 fábricas espalhadas no País.

Hoje, 6 mil carretas fazem esse serviço. Contudo, a Klabin vem estudando formas para aumentar a frota. "Estamos vivendo o risco de ter um apagão logístico com a falta de caminhões em 2010", diz Petterle. Uma das alternativas é alugar frotas para que garantam o fornecimento para a maior fabricante de papel do País.

Milagre econômico

A produção de caminhões, segundo estimativas, deve voltar a crescer de 15% a 20% em 2010, atingindo a marca de 130 mil a 135 mil unidades, o que faria bater o recorde anterior, de 2008, quando foram produzidos 132 mil unidades.

Vale lembrar que a marca de produção de 100 mil caminhões por ano só foi superada em 2007, ultrapassando o recorde anterior de 90 mil registrados em 1971, auge do Milagre Econômico.

Razão mais do que suficiente para as montadoras de veículos implantarem turnos adicionais de trabalho, além da suspensão das férias coletivas, tradicionais neste fim de ano. A Volvo, fabricante sueca de caminhões e ônibus, cancelou pela primeira vez a folga para seus funcionários desde que chegou ao País, em 1978. Tudo para atender a demanda.

"Estamos conversando com a fábrica para planejar as nossas vendas", diz Cláudio Zattar, diretor-superintendente da Vocal, maior concessionária Volvo de caminhões e ônibus da América Latina. Temos uma fila de espera para entrega de caminhões pesados para só depois de abril. Ele aposta que a situação se normalize antes do fim do primeiro semestre.

Para atender essa demanda, a Vocal, que pertence ao grupo Suzano, está investindo R$ 70 milhões até 2012 para ampliar em 55% a capacidade de atendimento de suas oficinas, a maioria localizada a um raio de 100 quilômetros da Grande São Paulo.

"Vivemos num País movido a rodovias. As obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) têm de rodar em condições adequadas", diz Zattar, que enumera as dificuldades de todas as condições logísticas do País, como portos, aeroportos e ferrovias.

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