Índio urbano

Luis Xipaia, de 36 anos, é o cacique de Tukajá, uma aldeia com 52 índios. Ele anda pintado apenas em ocasiões especiais, não mora em oca e fala português. Usa tênis, veste jeans, tem celular e email. Seu sustento não depende só da caça e da pesca. Ele mora com a mulher e mais seis parentes em uma casa em Altamira, equipada com TV, fogão, freezer, ventilador, computador e impressora. ¿Não tem internet. Ainda não tive condições de instalar uma antena¿, conta.

Mariana Castro, enviada especial a Altamira |

Janduari Simões
Cacique Luis Xipaia e a mulher Ruth

Cacique Luis Xipaia e a mulher Ruth

Há 20 anos, Xipaia saiu da aldeia e foi para a cidade. Percebeu que tinha de correr atrás das coisas. Hoje é presidente do Conselho Indígena de Altamira, dá palestras e participa de eventos em São Paulo e Brasília. Mas não ganho salário fixo para isso. Só uma ajuda de custo, uma cesta básica. 

Xipaia passa cerca de quatro meses por ano na aldeia. São quatro dias de viagem de barco até lá. Na comunidade, quebra castanha para vender e ganha dinheiro também com a venda de peixe. Sua mulher, Ruth Chaves, diz que o índio se acostumou com o dinheiro.

A vida na aldeia é muito difícil. Precisa vir para cidade atrás de oportunidade. Na aldeia quase não têm mais adolescentes. O ensino vai só até a quarta série e os jovens saem para estudar, diz ela.

Xipaia diz que ao ter contato com a cultura do branco, o índio passou a querer coisas as quais não tinha acesso. Se não produzimos aquilo que trouxeram para a gente, precisamos buscar. Ele diz que preferia ter mantido sua cultura pura. (Ao dizer isso, chora, pede desculpas e retoma a conversa).

Para o cacique, é importante estar na cidade para poder defender sua gente. Se ficasse na aldeia não poderia fazer nada, estaria vegetando"

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