Empresas têm visão ultrapassada sobre classe C, aponta pesquisa

A agência de publicidade McCann Erickson tentou decifrar os sonhos e aspirações da nova classe C. Realizou uma extensa pesquisa com mil casais, com renda entre R$ 1.000 e R$ 2.000, que vivem em cinco capitais brasileiras ¿ São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e Goiânia. O resultado é um retrato da distância que ainda existe entre o modelo de negócio das grandes empresas e os anseios da Nova Classe Média.

Alexa Salomão, iG São Paulo |

  • Estabilidade financeira possibilitou criação da Nova Classe Média
  • Consumidor da baixa renda prefere produtos ecologicamente corretos
  • Empresas relutam a investir em inovação
  • Ascensão dos mais pobres desafia velhos modelos de negócio

    As pesquisas independentes têm sido a principal ferramenta das empresas para entender o consumidor emergente. A maioria delas, no entanto, ainda se baseia em meros relatórios que contabilizam aquisições em lojas e o número parcial de bens já existentes nos lares da classe C. Sua função é dimensionar o tamanho do mercado ¿dar, por exemplo, uma idéia sobre quantas famílias têm geladeiras duplex. 

    Trata-se de uma visão limitada, que mostra apenas quais produtos têm mais chances de ser comprados. Um número pequeno de levantamentos tenta ir além: entender o que motiva esse consumidor a comprar, como ele escolhe um produto, quais crenças o movem. Com bases nesses levantamentos, bem mais recentes, as empresas começam a alinhar suas estratégias.



    A pesquisa da McCann é uma das maiores já realizadas dentro dessa linha e foi divulgada em março. Aloísio Pinto, vice-presidente da McCann, coordenador do trabalho, se diz surpreendido com o resultado. A classe emergente é a grande fonte de novos negócios no Brasil e ninguém mais duvida disso, diz ele. Mas, após vermos os resultados, percebemos que as empresas mantêm uma visão ultrapassada dessa camada, como se ela tivesse parado de evoluir nas décadas de 70 e 80, afirma. De acordo com Aloísio Pinto, a nova classe média assumiu não apenas uma nova posição na economia, como também desenvolveu novos desejos e valores culturais.

    Um dos exemplos mais claro desse distanciamento é a visão sobre os homens da classe C. Ainda são vistos como machistas e atrasados, mas a pesquisa identificou que 36% fazem as unhas, 12% pinçam as sobrancelhas e há até uma parcela de 8% que se depila. As indústrias de cosméticos, tímidas, oferecem a eles, no máximo, alternativas de desodorantes e xampus.

    Até setores que aparentemente estão no caminho certo, porque têm boas vendas, poderiam se posicionar melhor. É o caso dos fabricantes de celular. A maioria tenta criar aparelhos mais simples e baratos, mas, segundo a pesquisa, 66% da baixa renda sonham comprar telefones que tenha uma boa câmera ¿ e pagariam um pouco mais por isso.

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