Desempenho de cotista é igual ou superior ao dos demais estudantes, apontam pesquisas

Evasão entre cotistas é menor ou igual a de alunos que entraram para as universidades sem benefício de cotas

Carolina Rocha e Marina Morena Costa |

Pesquisas feitas por universidades apontam resultados positivos sobre o desempenho dos estudantes cotistas. As notas dos alunos que ingressaram pelo regime de cotas são iguais ou superiores à média dos demais estudantes. Outro dado destacado pelos levantamentos diz respeito à evasão entre os cotistas: menor ou igual a dos não-cotistas.

Entre 2003 e 2006, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) verificou que os estudantes cotistas tiveram médias superiores em 29 dos 48 cursos, quando comparadas às médias gerais dos cursos. Os estudantes que não ingressaram pelo regime de cotas tiveram notas superiores à média em 17 dos cursos. Na Unicamp, entre 2005 e 2006, os cotistas obtiveram maior média de rendimento em 31 dos 55 cursos.

A Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 2005, registrou que em 56% de seus cursos o número de estudantes cotistas aprovados foi maior do que o de não-cotistas, incluindo os cursos mais concorridos como Medicina, Odontologia, Engenharia Civil, Direito e Jornalismo.

Quanto a evasão de alunos, entre 2003 e 2007, na Uerj, menos cotistas negros abandonaram o curso (12,99%) do que estudantes que ingressaram na universidade pelo sistema universal (16,97%). Na UnB, esse número é de apenas 1% entre cotistas.

ProUni

Em junho deste ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) analisou as notas no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) da primeira turma de alunos formada pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas de estudo integrais para alunos de baixa renda. A pesquisa comprovou que os bolsistas tiveram nota igual ou melhor do que os estudantes que ingressaram pelo sistema universal, nos dez cursos analisados.

Na maioria das áreas avaliadas não houve diferença estatisticamente significativa entre os alunos com bolsa ProUni e aqueles sem bolsa ProUni, conclui a análise do Inep. Apenas nos cursos de Agronomia, Biomedicina, e Tecnologia em Radiologia a diferença entre as notas dos estudantes foi maior do que 2 pontos, e nos três casos, as maiores notas foram dos cotistas.

Alternativa às cotas

A USP adota um sistema de inclusão diferente das cotas. A universidade paulista possui o Programa de Inclusão Social da USP, o Inclusp, que dá pontos em seu vestibular para quem vem do ensino público. Além dele, a universidade aplica aos alunos da rede estadual de ensino de São Paulo uma série de três avaliações que podem somar mais 3% à nota da Fuvest.

Em 2009, a universidade registrou pelo segundo ano consecutivo o índice de 30% de alunos vindos de escolas públicas. Entre eles, o número de negros na USP é, hoje, 14,26%, índice jamais alcançado pela universidade.

Quanto ao mérito acadêmico, os alunos que entraram na universidade pelo Inclusp tiveram média de 6,3 contra 6,2 dos alunos que entraram pela forma tradicional.

Dos 118 cursos oferecidos na USP, a média dos ingressantes pelo programa de inclusão foi igual em oito cursos e superior em 54. Esses dados revelam que os estudantes têm potencial para acompanhar os cursos, inclusive os considerados mais tradicionais, em igualdade com seus colegas de classe, diz a Pró-Reitoria de Graduação da USP.

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