Basta olhar em volta. Do trânsito travado nas grandes metrópoles, às filas nos aeroportos, passando pela ameaça de apagão ou à falta de mão-de-obra, o País paga um preço alto por seu crescimento. Enquanto as empresas buscaram ganhar mercado e expandir seus negócios freneticamente nos últimos anos, os investimentos públicos não acompanharam o mesmo ritmo. O resultado se vê nas ruas. Um balanço sobre os investimentos esperados para 2010 mostra que as empresas estão dispostas a aplicar recursos para eliminar parte dos problemas da infraestrutura brasileira, como mostram os textos a seguir.


Para vencer contratempos, as empresas têm buscado parcerias. A Azul Linhas Aéreas, a novata do setor, fechou seu primeiro ano com mais de 2 milhões de passageiros transportados.

AE

Neeleman, da Azul: empresa resolveu até a falta de estacionamento dos clientes

Sua principal base no Estado de São Paulo, o aeroporto de Viracopos, aumentou significativamente seu volume de voos de 18 para mais de 100 partidas e chegadas diárias. "Era um aeroporto fantasma", diz Gianfranco Beting, diretor de marketing da Azul.

A companhia aérea monitora 80 "pontos de contato" com seus clientes e constatou que um dos problemas enfrentados era a alta demanda por vagas nos estacionamentos do aeroporto, administrados pela Infraero.

Em razão disso, fechou acordo com uma empresa que gerencia uma área próxima para acomodar mais vagas. "Tentamos buscar a excelência em determinadas coisas que não são de nossa responsabilidade", diz. Para 2010, a empresa vai adicionar mais sete rotas, além das 14 atuais.

Educação

Se as limitações em infra-estrutura dependerão de investimentos, a carência de mão de obra dependerá de mais tempo.

A Lanxess, uma empresa alemã de especialidades químicas e borracha sintética, passou quase seis meses procurando uma profissional adequada para compor seu quadro jurídico.

Como agiu a empresa? "A gente procura, procura, procura, procura e acha", diz Marcelo Lacerda, presidente da companhia no Brasil.

Para o executivo, a empresa, multinacional alemã, sofre menos, podendo convocar funcionários da matriz e de suas subsidiárias para a função. Mas nem sempre é possível.

Para o presidente da Lanxess no Brasil, o problema é contornável nos grandes centros urbanos, mas não em locais mais distantes, nos quais estão situadas instalações industriais. "A questão não é apenas a educação técnica, mas a do ponto de vista humano e ético", diz Lacerda.

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