Anônimos na internet ajudaram a eleger Obama em 2008 nos EUA

Os estrategistas de marketing dos partidos brasileiros deverão seguir na esteira da campanha vitoriosa de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos para tentar eleger seus candidatos nas eleições em 2010. Para isso, as legendas vão intensificar o uso das novas ferramentas da internet, tanto para mobilizar simpatizantes como para arrecadar doações.

Nara Alves, iG São Paulo |

Em 2008, Obama recebeu US$ 600 milhões, sendo que US$ 500 milhões foram só pela rede. Além disso, provocou uma verdadeira avalanche de conteúdo online criado por anônimos sem envolvimento formal com a campanha democrata. O fenômeno foi batizado de efeito Obama e se tornou um caso de estudo sobre como a internet mudou a forma de participação política.

Criatividade

Um vídeo postado no YouTube no dia 5 de março de 2007 intitulado Vote Diferente retratou a então concorrente de Obama ao posto de candidata democrata, Hillary Clinton, como uma figura autoritária. O vídeo de Phillip de Vellis, um dos estrategistas de Obama, foi feito a partir de um famoso comercial de 1984 chamado Big Brother, da Apple, e divulgado sob o pseudônimo ParkRidge47. O comercial original fazia alusão ao livro 1984, de George Orwell. Na versão modificada, Hillary é quem ocupa o lugar do Big Brother. Ao final, uma atleta lança um machado sobre a tela em que o rosto da pré-candidata é projetado, a imagem explode e a seguinte frase aparece: Em 14 de janeiro, as primárias democratas vão começar. E você verá por que 2008 não será como 1984.

De acordo com Eric Boehlert, autor do livro Bloggers on the bus, lançado em maio, as 5 milhões de vezes em que internautas assistiram ao vídeo Vote Diferente seriam equivalentes a US$ 10 milhões em tempo na televisão. Para Boehlert, o vídeo representou a democratização do processo de campanha através de conteúdo gerado pelo usuário. O autor conta que, para Phillup de Vellis, a experiência afirmou sua crença na nova marca de Obama, a política participativa de baixo para cima. Assista abaixo à versão de 2007 de Phillip de Vellis.


A briga com o MySpace

Assim como o vídeo de Phillip de Vellis, a comunidade Barack Obama criada por um jovem de 28 anos chamado Joe Antonhy na rede social MySpace rapidamente se tornou um fenômeno de audiência e ajudou Obama no início de sua campanha democrata, no início de 2007. Quando a comunidade de Anthony havia atraído 160 mil pessoas, no entanto, Chris Hughes, um dos estrategistas de Obama, teria sugerido ao jovem que vendesse o perfil no MySpace para a campanha oficial por um valor simbólico. Anthony, então, fez um cálculo das horas trabalhadas e montou uma proposta. Ele cobraria US$ 49 mil. Para a surpresa de Anthony, Hughes respondeu afirmando que não esperava receber proposta nenhuma. Algumas semanas depois, o jovem foi impedido pelo MySpace de entrar em sua própria comunidade. O motivo: a equipe de Obama havia reivindicado o domínio da página ao MySpace, como prevêem as regras daquela rede social.

Depois de ser trancado para fora de sua própria comunidade, Anthony recebeu uma ligação do então senador Barack Obama, que agradeceu o apoio. Pouco tempo depois, porém, a equipe oficial divulgou na internet uma versão dos fatos que, segundo o jovem, era mentirosa. Os estrategistas alegavam que ele havia tomado a iniciativa de vender o perfil e se recusavam a admitir que a oferta fora feita a ele inicialmente. No dia da votação, Joe Anthony preferiu ficar em casa. O conflito entre o voluntário anônimo e a equipe de estrategistas mostrou, segundo o especialista Eric Boehlert, o lado negro das campanhas que incentivam a participação online. Essa foi a historio do que aconteceu quando um voluntário foi esmagado, diz.

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