2020: O que esperar da geração formada por cotistas?

Defensores de cotas raciais preveem mudança social no País

Carolina Rocha e Marina Morena Costa |


A inclusão de pessoas negras em profissões, cargos e postos que atualmente contam com uma porcentagem baixa desta população é apontada pelos defensores como uma das principais vantagens do sistema de cotas.

De acordo com o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, aproximadamente 290 mil jovens afrodescendentes ingressaram nas universidades brasileiras por meio de políticas de cotas desde 2003. Pelo ProUni, já ingressaram quase 200 mil jovens afrodescendentes. Pelas cotas destinadas à população negra foram cerca de 90 mil ¿ uma média de 15 mil por ano. Estes jovens poderão disputar postos que sempre estiveram ocupados por uma minoria, afirma.

Nos próximos dez anos, teremos negros empresários, médicos, juízes, engenheiros, políticos. Isso provocará uma revolução social no País, de consequências muito grandes. Vai mexer com o mercado de trabalho, com a imagem de nação e mudar estatísticas protagonizadas pelos negros, vislumbra José Jorge de Carvalho, professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia e Inclusão no Ensino Superior (INCT).

De acordo com Carvalho, preconceitos como o perfil do criminoso e o número de assassinatos de jovens negros tendem a mudar com a presença de novos modelos de negros na sociedade brasileira. A pessoa que mais corre risco de ser assassinada no Brasil é um jovem negro, homem, com idade entre 18 e 24 anos. Ele tem três vezes mais chance de ser assassinado do que um jovem branco. Acho que, com 10 anos de cotas, começaremos a mudar esse panorama, analisa.

Os defensores da cota sócio-econômica não veem o cenário tão positivo. O senador do Democratas, Demóstenes Torres, acredita que, enquanto o ensino fundamental não for integral em todo o País, a situação vai continuar desigual. Não é o acesso ao ensino superior que faz a diferença. Os EUA são o país que mais têm gente formada no mundo, com 40% de pessoas graduadas. A França é um país que tem tradição em ensino superior e tem 22% da população formada. Nos dois países existe desigualdade, diz.

O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, André Lázaro, concorda que a mudança não será para essa geração, mas acredita que as lideranças que podem surgir com as ações afirmativas não tomarão decisões que gerarão exclusão.

    Leia tudo sobre: cotas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG