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Alexandre Nardoni foi indiciado por suas contradições

18/04 - 20:16 , atualizada às 00:51 19/04 - Paulo Moreira Leite

SÃO PAULO - O indiciamento de Alexandre Nardoni foi consumado na tarde desta sexta-feira, dia 18, mas ganhou traços definitivos no dia 11 de abril, treze dias depois da morte de Isabella, em 29 de março. Naquele dia, a delegada Renata Helena Pontes, responsável pelas investigações, redigiu um parágrafo conclusivo num documento oficial, mas reservado, da polícia, a "resenha" do caso. No texto, ao qual o Último Segundo teve acesso, a delegada faz uma síntese de todo o trabalho de apuração realizado até o momento – e deixa claro que o casal não falava a verdade. Por essa razão ocorreu o indiciamento.



AP
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Isabela faria 6 anos desta sexta-feira
Lê-se no ítem 21 da "resenha" que a investigação encontrou uma contradição absoluta entre a versão dos dois e o confronto dos fatos. O ponto básico envolve o tempo transcorrido entre o momento em que Alexandre Nardoni alega que deixou o apartamento, desceu para a garagem para apanhar as duas crianças e a mulher – quando todos teriam subido para o sexto andar -, momento em que teriam dado falta de Isabella, que Alexandre diz ter deixado dormindo no quarto. Em sua ausência, diz ele, um ladrão teria entrado em sua casa e assassinado a menina. 

O problema, descobre-se pela leitura da "resenha" é que mesmo que se dê crédito, num primeiro momento, à versão de Alexandre, não se consegue encontrar sinais factíveis de que uma terceira pessoa pudesse ter estado no apartamento – e feito tudo aquilo que ele diz que foi feito.

Para sublinhar o absurdo que foi sendo revelado a cada dia das investigações, a delegada Renata Pontes escreve que, para a história ser verdadeira, seria preciso que, "no prazo máximo de três minutos" uma só pessoa fosse capaz de entrar no apartamento; acordar a menina; apagar a luz do quarto; ferir a menina na testa; andar com ela no colo pelo apartamento; limpar o sangue na testa; lavar e pendurar a fralda na área de serviço; asfixiar a menina; cortar a tela da rede de proteção do quarto; jogar a menina pela janela; apagar a maioria das luzes do imóvel; trancar a porta; escapar do prédio sem deixar vestígios.

Escrito tarde da noite, após um dia exaustivo de trabalho, o texto trai uma situação de cansaço – a tal ponto que, numa das passagens, a delegada troca os nomes dos personagens da tragédia. Mas o documento é claro, minucioso.

As contradições de Nardoni devem ser evidenciadas, com clareza ainda maior, quando a polícia realizar a reconstituição. Neste momento sempre dramático,  o casal será obrigado a explicar aspectos que seus relatos omitiram – como o ferimento de Isabella, as manchas de sangue – e encenar uma tragédia que, envolvendo pessoas tão próximas, pode produzir reações psicológicas imprevisíveis.   

Apesar do indiciamento, o caso está longe de ter-se encerrado. A polícia consegue demonstrar que não houve uma terceira pessoa e tem um pacote de omissões, contradições e mesmo mentiras contra o casal. São elementos que podem levar a uma condenação. A polícia ainda não dispõe, porém, de provas para sustentar positivamente o papel de um e de outro na trama que levou à morte da menina.

Curiosamente, o casal está sendo indiciado não porque tenha sido possível demonstrar o que fez – mas porque não consegue convencer ninguém sobre a verossimilhança da história que contou. É um começo.

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