20/02 -
20:50
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Paulo Moreira Leite
O afastamento de Fidel Castro tornou-se um trunfo auxiliar do candidato republicano John McCain nas eleições americanas e, mais uma vez, pode levar a Flórida a ocupar um lugar estratégico na escolha do novo presidente.
Explica-se: o discurso belicoso de McCain é pura melodia para os exilados cubanos da Flórida – aqueles que já forneceram até mão-de- obra para a invasão da ilha, em 1961.
Foi ali que, auxiliado por uma decisão da Suprema Corte de maioria republicana, George W. Bush conseguiu um lote de delegados que lhe permitiu derrotar Al Gore há oito anos. A situação é assim: o eleitores cubanos não decidem a eleição na Flórida, mas tem aquela fatia que pode garantir uma vantagem decisiva, como aconteceu em 2000.
Quando Fidel anunciou o afastamento, a campanha de McCain divulgou um comunicado recordando a postura do candidato sobre a ilha. Ele é 100% solidário com a política de pressão de George W. Bush sobre o governo comunista, cobrando concessões unilaterais, como a liberação de presos políticos antes de qualquer conversa.
O efeito prático dessa postura tem sido igual a zero, mas representa um investimento seguro na colheita de votos. Os democratas, favoráveis à política de diminuição de tensões com a ilha, enfrentam uma situação diferente. Durante o governo de Bill Clinton, ocorreu um episódio exemplar.
Disputado pelo pai, que vive em Havana, e por outros parentes, que residem em Miami, um menino de oito anos acabou no centro de uma disputa política internacional. A Justiça americana decidiu que o menino deveria ser devolvido ao pai, o que foi festejado por Fidel Castro como uma vitória sobre o imperialismo. A comunidade de Miami tomou como uma ofensa pessoal.
O desgaste democrata foi grande porque um dos maiores advogados do país, bastante ligado a Clinton, teve um papel decisivo no trabalho de convencimento dos juízes. Pelo temor de perder votos em 4 de novembro, quando um dos dois estará em conflito direto com McCain, nem Barack Obama nem Hillary Clinton tem muito o que dizer sobre o assunto. Obama já disse, em seus comícios, que pretende estabelecer relações maduras com os países do continente, que deixariam de ser tratados como parceiros "menores". Ele não fez uma menção explícita a Cuba, mas só perderia votos na Flórida se tivesse de esclarecer esse ponto.
O mesmo vale para Hillary. "Eles vão ficar assim até a passagem da eleição," me disse um veterano diplomada americano, com quem conversei há poucos minutos pelo telefone. "Agora é a hora do voto." Entre os diplomatas americanos, acredita-se que o regime cubano tentará reformas econômicas, semelhantes ao que ocorre na China Comunista. "Mas ninguém acha que serão feitas concessões para a democracia. Aquilo é uma ditadura e pretende continuar assim."
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