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21:06
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Paulo Moreira Leite, de Nova York
David William, um dos principais caciques da campanha de Bill Clinton em 1992, quando ele conquistou o primeiro mandato presidencial, anuncia que resolveu aderir à campanha de Obama. Seu argumento é que o adversário de Hillary Clinton tem maior capacidade de trazer aliados, somar adversários e fazer um bom governo.
A adesão de David William confirma a energia eleitoral de Obama, que já ultrapassou Hillary na soma de delegados e assumiu a liderança da disputa pela nomeação, mas também aponta para um aspecto cada vez mais relevante da campanha _ a diferença entre os candidatos.
A visão de que Obama possui um talento indiscutível para conquistar aliados tornou-se a principal conversa entre democratas e mesmo entre republicanos. Mesmo entre empresários e executivos de grandes corporações, essa opinião ganha terreno. Em Washington, visitei o escritório de uma das grandes empresas norte-americanas.
Em pauta, uma conversa informal sobre as eleições. A conclusão: com seu jeito flexível, a capacidade de unir contrários e a disposição para "cruzar a linha" que separa democratas e republicanos no Congresso e na vida social americana, Barack Obama tornou-se mais palatável do que Hillary. Claro que, na hora de votar, a maioria republicana escolherá John McCain. Mas esta candidatura é difícil, diante da impopularidade da guerra do Iraque e a herança de George W. Bush.
A conversão mais frequente nos meios políticos é de que os democratas precisarão fazer muita besteira para perder as eleições em 2008 _ como já aconteceu no passado. Hillary tem um currículo de senadora dura e combativa.
Tem posições firmes e não costuma mudar de opinião com facilidade. Cultiva ligações sólidas com o sindicalismo, que até agora tem garantido boa parte de seus votos. Se existe alguma coisa próxima a um movimento operário nos EUA, ele apóia Hillary. A senadora de Nova York fala na criação de um sistema de saúde universal, o que só seria possível com novos impostos e contribuições das empresas.
"Quando ela tentou fazer isso no governo de Bill Clinton, ameaçou socializar 50% da nossa economia," exagera meu interlocutor. Mas a visão é esta. Nessa visão, Barack Obama tem-se mostrado mais acessível e palatável. Mobiliza um eleitorado heterogêneo, com interesses difusos, envolvendo eleitores de renda alta e padrão educacional excelente e também os negros mais pobres.
Em seu discurso as idéias e princípios tem mais importancia do que propostas de governo. Isso quer dizer ,imagina-se, que terá mais capacidade e disposição para negociar, avançar e mesmo ceder.
Eleitora de Hillary, Ella Neal, 29 anos, três filhas, nasceu na Carolina do Norte e há 13 anos mudou-se para Washington com a mãe. Ella tem um diploma como assistente de dentista. Conseguiu seu primeiro emprego – como secretária – depois de fazer um estágio, recebendo US$1400 por mês. Nesse período, aprendeu informática, teve um bom treino de computador e acabou contratada por um ano e meio.
Como ela conseguiu fazer isso? "No tempo de Bill Clinton, você recebia ajuda para estudar. Com os republicanos, tudo diminuiu." Com o salário que recebe, Ella gasta $ 7 000 por ano em impostos – federais, estaduais e municipais. "Quero que esse dinheiro vá para pessoas como eu e para os pobres, que precisam de ajuda. Não quero que vá ajudar os ricos."
É um discurso diferente daquele se ouve em torno de Obama. Num caso em que a realidade se aproxima da caricatura, pode-se ler o que disse Rachelle Tompson, 37 anos, entrevistada pelo Washington Post logo depois de votar nas primárias na região de Maryland: "Sou uma africana-americana, uma mulher e conservadora. Vim aqui com intenção de votar por Huckabee (o mais conservador candidato republicano) e terminei por votar por Obama."
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