A carta emitida pelos verdes europeus afirma que a vitória de José Serra ameaça as conquistas ambientais e sociais do Brasil

Apesar do Partido Verde brasileiro ter optado pela neutralidade em relação ao segundo turno da eleição presidencial, membros do Partido Verde da França emitiram nesta sexta-feira uma carta de apoio à candidata do PT, Dilma Rousseff .

Na carta assinada também por membros do PV de outros países europeus como Alemanha, Itália e Bélgica, os verdes lembram o esforço de Marina Silva em lutar pelas causas ambientais no Brasil e da grande participação dela nas eleições, mas pedem que os brasileiros não permitam que “o voto libertário em Marina Silva paradoxalmente se transforme em uma catástrofe para as mulheres, para os direitos humanos e para os direitos da natureza!”, diz a carta divulgada pelos verdes europeus.

Os líderes europeus afirmam também que a batalha do segundo no Brasil será bastante dura e diz que a Europa não pode fechar os olhos para o “avanço da direita no maior País da América Latina”. “ José Serra não é um social democrata de centro. Por trás dele, a direita brasileira vem mobilizando tudo o que há de pior em nossas sociedades: preconceitos sexistas, machistas e homofóbicos, junto com interesses econômicos os mais escusos e míopes. A direita sai do porão”, avaliam os verdes franceses.

Na visão dos verdes franceses, a eleição de Dilma é a única forma de garantir que os projetos ambientalistas mundial sejam postos em prática e que o Brasil continue avanço nas políticas de inclusão social. “É impossível acreditar que a esperança suscitada pelos dois mandatos presidenciais de Lula acabe terminando no segundo turno com a eleição do candidato da direita”, aponta a carta.

Na mensagem, os parlamentares e ativistas ambientais europeus também lembram do debate sobre o aborto no Brasil e criticam a declaração de Mônica Serra, que acusou Dilma Rousseff de querer “matar criancinhas”. “Contra as mulheres, as facções mais reacionárias das igrejas cristãs – incluindo aquela da mulher do candidato da direita que declarou publicamente que Dilma quer assassinar criancinhas – acusam a candidata de ser favorável ao aborto, mesmo que esta questão não faça parte de seu programa de governo, tampouco do programa do Partido dos Trabalhadores. (...) A esta panóplia, bem conhecida em toda parte, vem se juntar uma criminilização particularmente ignóbil por parte da direita das lutas de resistência contra a ditadura. Dilma tem sido alvo de campanhas anônimas na internet que acusam de terrorismo e de bandidagem por ter participado na luta contra o regime militar, ela que foi por este motivo presa e barbaramente torturada", afirma a carta.

O manifesto dos militantes ambientais europeus é assinada pelo presidente do grupo de deputados do Partido Verde no Parlamento europeu, Dany Cohn Bendit (Alemanha), pelo francês Jérôme Gleizes (dirigente da comissão internacional dos Verdes), a italiana Monica Frassoni (co-presidente do Partido Verde europeu) , Dominique Voynet (senadora francesa e refeita da Cidade de Montreuil , ex-Ministra do Meio Ambiente), Philippe Lamberts (belga co-presidente do Partido Verde europeu), Alain Lipietz (dirigente do PV francês e ex-deputado europeu) e pelo também francês Jérôme Gleizes (dirigente da comissão internacional dos Verdes).

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