15/05 - 15:20 - Leandro Meireles Pinto, da Jordânia
AMÃ - Terminou nesta sexta-feira a primeira visita do papa Bento 16 ao Oriente Médio. Durante uma semana, o papa se reuniu com líderes católicos, muçulmanos e judeus, em uma tentativa de aproximação entre as religiões. Relembre abaixo os principais pontos da visita.
Bento 16 iniciou sua peregrinação pela Terra Santa na última sexta-feira, dia 8 de maio, em Amã, na Jordânia, e foi recebido pelo rei Abdullah 2º e pala rainha Rania no aeroporto.

No país, que tem apenas 6% de população cristã, o papa visitou locais sagrados da religião católica, como o Monte Nebo, onde Deus teria mostrado a Moisés Jerusalém, a "terra prometida", e o Rio Jordão, local onde acredita-se que Jesus tenha sido batizado por João Batista.

Ainda na Jordânia, país de maioria muçulmana, Bento 16 também visitou uma mesquita, a mais moderna do país, em uma tentativa de se aproximar da religião islâmica após um discurso no qual associava Maomé e o Islã à violência em 2006. Na mesquita King Hussein Bin Talal de Amã, Bento 16 não mencionou suas polêmicas declarações de 2006, mas disse que a violência "vem da manipulação da religião, e não do conflito de crenças".

Papa cumprimenta líder muçulmano na mesquita / AFP
No última dia de visita à Jordânia, no domingo (10), Bento 16 rezou uma missa campal para cerca de 20 mil pessoas no Estádio Internacional de Amã. Durante seu discurso, o papa afirmou que "católicos estão muito tocados pelas dificuldades e incertezas que afetam todas as pessoas do Oriente Médio".

Bento 16 acena para fiéis antes da missa / AP
O papa ficou na Jordânia até a última segunda-feira, 11 de maio, quando embarcou, no Aeroporto Internacional Queen Alia de Amã, para Israel, país vizinho. Em Israel, Bento 16 foi recebido pelo presidente de Israel, Shimon Peres, no Aeroporto Internacional Ben Gurion de Tel Aviv.

De Tel Aviv, Bento 16 foi para Jersualém e, ainda na segunda-feira, fez uma importante visita ao Memorial do Holocausto (Yad Vashem), tentando também colocar fim à polêmica suspensão da excomunhão do bispo Richard Williamson, que nega a existência do Holocausto, ato muito criticado pelos judeus, e a beatificação do papa Pio 12, acusado de ser omisso durante o extermínio de judeus na Europa.
Durante a visita ao local, Bento 16 condenou a negação do Holocausto. "Que os nomes destas vítimas nuncam pereçam. Que seu sofrimento nunca seja negado, depreciado ou esquecido", disse.
| Reuters |
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| Papa Bento 16 durante visita ao Museu do Holocausto |
O discurso do papa sobre o Holocausto, no entanto, gerou descontentamento em Israel. O diário "Ha'aretz", o mais progressista e o segundo mais influente do país, disse que Bento 16 "não lembrou a responsabilidade dos nazistas no Holocausto", o que considera importante, levando em conta a origem alemã do papa e seu passado na juventude hitlerista e na Wermacht, as forças armadas do Terceiro Reich.
Na terça-feira (12), o papa visitou a Esplanadas das Mesquistas e o Muro das Lamentações, lugar considerado o mais sagrado pela religião judaica. Após essas visitas, ele se encontrou com líderes religiosos judeus e muçulmanos.

Durante visita a Belém, em território palestino, na quarta-feira (13), Bento 16 defendeu a criação de um Estado Palestino. "A Santa Sé apoia o direito do seu povo a um território palestino soberano na terra de seus antepassados, em paz com seus vizinhos e dentro de fronteiras reconhecidas internacionalmente", disse o Pontífice, durante uma coletiva de imprensa na casa do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

Ainda nos territórios palestinos, Bento 16 visitou na quarta-feira (13) um campo de refugiados e lamentou a "trágica" existência de muros que dividem os palestinos e israelenses. "Em um mundo no qual as fronteiras são cada vez mais abertas, é trágico ver que ainda são erguidos muros", lamentou o papa.
Papa visita campo de refugiados na Cisjordânia
Na quinta-feira (14), Bento 16 foi para Nazaré, no norte de Israel, e celebrou uma missa com a participação de cerca de 40 mil pessoas, perto do Monte do Precipício, de onde segundo a tradição cristã, Jesus foi atirado após um sermão. Falando aos católicos, o pontífice pediu que cristãos e muçulmanos "rejeitem" todo tipo de ódio e preconceito. Bento 16 pediu, ainda, que os governos apoiem a família como "pilar básico da sociedade".
| AP |
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| Papa acena para fiéis ao chegar ao Monte do Precipício |
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