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Brasil tem mais peso em discussão sobre paz no Oriente Médio

11/05 - 10:11 - Leandro Meireles Pinto, da Jordânia

AMÃ - "Hoje o Brasil é ouvido" nas discussões sobre o processo de paz no Oriente Médio, afirmou no último domingo, em entrevista coletiva, Fernando José de Abreu, embaixador do Brasil na Jordânia.

Leandro M. Pinto
Embaixador da Jordânia

Embaixador da Jordânia, José Abreu

Segundo Abreu, que participou de um jantar em Amã com a reportagem do Último Segundo e outros veículos da imprensa, a postura moderada da diplomacia brasileira tem facilitado para aumentar o peso do País nas discussões sobre o futuro na região. "O Oriente Médio entrou na agenda recente da diplomacia brasileira. Hoje, o País tem muito mais presença na região do que há 10 anos", explicou.

Embaixador na Jordânia há nove meses, Abreu acredita que o País pode ter um papel importante durante as novas negociações de paz entre Israel e os palestinos. "É um conflito que é histórico, mas Lula já foi a essas regiões e fará novas tentativas de diálogo", disse, otimista com a importância do Brasil no cenário político mundial.

Brasil no mapa da Jordânia

A viagem que o rei da Jordânia, Abdullah 2º, fez ao Brasil, em outubro de 2008, "abriu as portas da Jordânia ao país", afirmou o embaixador do Brasil na Jordânia.

"O convite à família real jordaniana era feito desde meados de 1990, quando a Jordânia ainda era governada pelo rei Hussein", explicou Abreu. De acordo com o embaixador, o encontro entre o rei Abdullah e o presidente Lula "colocou o Brasil no mapa político da Jordânia".

Quando veio ao Brasil, em outubro de 2008, o rei jordaniano discutiu com o presidente brasileiro algumas formas de cooperação entre os países, uma vez que o Brasil exporta produtos para a Jordânia, como aviões da Embraer, mas não importa nada.

Problemas com brasileiros

O trânsito de brasileiros na Jordânia é muito pequeno, se comparado a grandes centros como Londres, Espanha ou até Líbano e Egito. Mas, segundo o embaixador Abreu, a recente prisão de quatro brasileiros no aeroporto, acusados de tráfico de drogas, já começa a influenciar na relação com pessoas do Brasil nos aeroportos. "Esses recentes casos aumentaram o preconceito em relação aos viajantes brasileiros ou até jordanianos que foram ao Brasil e voltaram ao país", disse o embaixador.

Segundo Abreu, um dos casos reportados à embaixada está em processo de julgamento e o réu "aparenta ser inocente. Apenas se envolveu com pessoas erradas", afirmou. Outro caso foi a prisão de duas garotas na faixa dos 25 anos que eram usadas como "mula" e usavam a Jordânia como rota de tráfico para o Oriente Médio. A quarta prisão não foi reportada à embaixada e não está sendo acompanhada pelas autoridades brasileiras.

"Esse é um fator novo que me preocupa. Não podemos aceitar discriminação contra brasileiros e latinos que chegam ao país por causa de alguns casos", disse o embaixador. De acordo com Abreu, a Embaixada brasileira está em constante contato com as autoridades jordanianas para evitar abusos na imigração.

O embaixador explica, no entanto, que a cadeia da Jordânia "é muito melhor" que as prisões brasileiras. "Os brasileiros aqui estão sendo bem tratados e tem assistência completa", afirmou.





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