09/05 - 03:35 - Leandro Meireles Pinto, da Jordânia
AMÃ - O papa Bento 16 faz um dos atos mais simbólicos de sua peregrinação pela Jordânia neste sábado. Ele irá visitar a Mesquita al-Hussein bin-Talal de Amã e se encontrará com líderes religiosos muçulmanos.
"Um dos principais aspectos desta viagem do papa é o diálogo entre o Islã e o cristianismo. Aqui na Jordânia, nós não nos tratamos por diferenças religiosas. Nós não somos diferentes, somos irmãos", afirmou o padre Rifat Bader, porta-voz da Igreja Católica na Jordânia.
Esta não é a primeira mesquita que será visitada pelo papa Bento 16. Em novembro de 2006, ele foi à Mesquita Azul, na Turquia, como forma de tentar reparar os danos causados por suas declarações sobre o Islã e Maomé. Em setembro daquele ano, o papa fez um discurso no qual associava Maomé e o Islã à violência. Desde então, a relação entre a cúpula da Igreja Católica e o Islã ficou estremecida e houve uma série de protestos contra a presença do papa na região, com população majoritariamente islâmica.
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| Bento 16 em sua visita à Mesquita Azul em 2006 |
Na última sexta-feira, árabes israelenses protestaram em Nazaré contra a presença do papa na Terra Santa. Com cartazes e faixas, o grupo condenou aqueles que insultam o profeta do Islã Maomé, um recado claro ao papa. Após passar pela Jordânia, Bento 16 irá continuar sua peregrinação por Israel e territórios palestinos, inclusive Nazaré.
Autoridades jordanianas, no entanto, negam qualquer tipo de atrito religioso com o papa e afirmam que a visita do pontífice à mesquita neste sábado será um marco de diálogo e integração com o Islã. "Bento 16 busca novas portas, novos diálogos. Nós queremos abrir portas para outros países muçulmanos com a visita do papa à mesquita", afirmou o padre Bader.
"O papa será mais do que bem vindo pelos jordanianos muçulmanos. As pessoas querem pegar uma pequena citação e fazer uma grande tempestade com isso. Essas pessoas querem buscar novas disputas e novos conflitos", disse Akel E. Biltaji, senador muçulmano da Jordânia e ex-ministro do Turismo.
Para o professor Fernando Altemeyer, teólogo da PUC-SP, a presença de Bento 16 em uma mesquita mostra a vontade do diálogo religioso do papa. "Assim como fez na Turquia, ele visitará mais uma vez uma mesquita. Desta vez, na Jordânia. O gesto do papa de orar em uma mesquita foi um dos mais importantes e significativos. Mostrou a vontade de conversar e de paz de Bento 16".
Monte Nebo
Neste sábado, Bento 16 também irá subir o Monte Nebo, local em que, segundo a Bíblia, Deus fez Moisés ver a "terra prometida", o que hoje é conhecido como Jerusalém. Após avistar, ainda segundo a Bíblia, Moisés teria sido punido por duvidar de Deus e não pôde atravessar o Rio Jordão para a "terra prometida".
Segundo as tradições cristã e judaica, Moisés teria morrido no topo do Monte Nebo e sido enterrado na região. A localização de sua cova, no entanto, é desconhecida. De acordo com a religião islâmica, porém, o corpo de Moisés teria sido enterrado a alguns quilômetros do Monte Nebo, em algum lugar próximo do Rio Jordão.
O pico do Monte Nebo está cerca de 817 metros acima do nível do mar e de lá é possível a Terra Santa, o leito do Rio Jordão e, em dias de boa visibilidade, Jerusalém. Durante sua visita, Bento 16 irá ao observatório do monte, onde poderá olhar em na direção de Jerusalém, e também irá visitar as ruínas de uma basílica construída no século 4, por volta do ano 390 d.C., descoberta somente em 1933.
No dia 19 de março de 2000, o papa João Paulo 2º também fez sua peregrinação ao Monte Nebo e plantou uma oliveira ao lado de uma capela bizantina como um símbolo de paz.
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