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Não tive coragem de contar para uma mãe que seu filho tinha morrido, relata jordaniano

09/05 - 14:52, atualizada às 14:56 09/05 - Leandro Meireles Pinto, da Jordânia

AMÃ - O dia 9 de novembro de 2005 ainda mexe com as memórias do senador da Jordânia Akel E. Biltaji e de muitos outros jordanianos. Biltaji era uma das centenas de pessoas que estavam no lobby do Hotel Grand Hyatt, em Amã, quando uma série coordenada de ataques de homens-bomba aconteceu nos principais hotéis da cidade. "Este foi o nosso 9/11", diz Biltaji, em referência aos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.

Seguranças no dia do

Seguranças no hotel no dia do ataque / Foto de arquivo (2005) - Getty

Os ataques contra hotéis de luxo em Amã, no dia 9 de novembro de 2005, mataram 60 pessoas e feriram 115. As explosões aconteceram nos hotéis Grand Hyatt, onde a reportagem do Último Segundo está hospedada, no Radisson SAS e no Days Inn. O ataque começou por volta das 21h daquele dia e uma das bombas no Radisson foi detonada dentro de um salão de festas onde ocorria uma cerimônia de casamento.

O senador Biltaji, que estava no lobby do hotel Grand Hyatt no momento da explosão, conta que quando ouviu o barulho "achou que fosse a explosão de um cilindro de gás". "Liguei para o chefe de segurança e ele disse que o barulho era algo muito maior", afirmou.

"Estava aqui para buscar algumas coisas. Encontrei uns amigos e sentei-me com eles. Quando saí do lugar, outra pessoa sentou em meu lugar e 15 minutos depois morreu com atentado. Poderia ser eu lá. Se isso é destino ou sorte, eu não sei", explica, emocionado, o senador Biltaji.

Frente do Hotel Hyatt, em 2005, no dia do ataque de homens-bomba/ AP

Frente do Hotel Hyatt, em 2005/ Getty

Durante seu depoimento, o senador não consegue esconder a emoção ao falar do amigo que estava no lobby e também morreu na explosão. "Enquanto eu carregava o corpo de um grande amigo para a ambulância, ouvi o telefone celular dele tocar e percebi que era sua mãe. Não tive coragem de atender e contar para a mãe que o filho dela havia morrido", disse, visivelmente emocionado.

Lição aprendida

A Jordânia, um país até então livre dos atentados com homens-bomba tão comuns em lugares como o Iraque, por exemplo, teve que se readaptar após o dia 9 de novembro de 2005.

Segundo o senador Biltaji, devido à guerra do Iraque, que faz fronteira com a Jordânia, milhares de refugiados iraquianos entraram no país. De acordo com o senador, foi essa falha na fronteira iraquiana que causou os atentados nos hotéis que mais frequentemente recebem estrangeiros e diplomatas. "Foi uma falha da segurança. Mas essa falha fez com que implementássemos toda essa segurança que temos hoje nos hotéis", disse.

De fato, a entrada dos hotéis de luxo da Jordânia mais se parecem com setores de imigração em aeroportos. Máquinas de raio-x, revista pessoal e seguranças fazem parte da paisagem em frente ao luxuoso lobby do Grand Hyatt. "Nós aprendemos nossa lição. Nós sabemos o que 9/11 significa, quando pessoas inocentes morrem", conclui o senador Biltaji.

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