07/05 - 10:52 - Leandro Meireles Pinto, da Jordânia
MAR MORTO - O Reino Hashemita da Jordânia, primeira parada do papa Bento 16 durante sua visita ao Oriente Médio, é um país predominantemente muçulmano. Os jordanianos, no entanto, se orgulham em dizer que a tolerância religiosa e a boa convivência entre os povos é uma das características do país.
Cerca de 92% da população de 6,3 milhões de habitantes é composta de muçulmanos sunitas e outros 2%, de muçulmanos xiitas. Os cristãos são uma minoria de 6%, divididos especialmente entre gregos ortodoxos e católicos. Apesar de terem população menor, os cristãos compõem cerca de 15% do Parlamento jordaniano.

Quadro
religioso da Jordânia
Em uma região que reúne o berço das três maiores religiões monoteístas - o cristianismo, o judaismo e o islamismo - a Jordânia é um país em que há convivência pacífica entre seus cidadãos de diferentes crenças.
| Leando M. Pinto |
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| Bispo Selim Sayegh |
De acordo com o Vaticano, cerca de 109 mil católicos vivem na Jordânia.
Durante a visita de Bento 16, diversos locais emblemáticos e sagrados para o
cristianismo serão visitados e abençoados, como o Monte Nebo, onde, segundo a
tradição cristã, Deus mostrou a Moisés a terra prometida, assim como Jerusalém
(12 de maio), Belém (13) e Nazaré (14).
Mas o papa também tem espaço na agenda para contemplar outras religiões. No próximo sábado, Bento 16 terá um dos mais simbólicos eventos em sua agenda na Jordânia. Ele fará uma visita à mesquita Al Hussein bin Talal e se encontrará com líderes religiosos muçulmanos.
Desde 2006, quando Bento 16 fez um discurso no qual associava Maomé e o Islã à violência, a relação entre a cúpula da Igreja Católica e o Islã ficou estremecida. "Assim como fez na Turquia, ele visitará mais uma vez uma mesquita. Desta vez, na Jordânia. O gesto do papa de orar em uma mesquita foi um dos mais importantes e significativos. Mostrou a vontade de conversar e de paz de Bento 16", afirma o teólogo Fernando Altameyer, professor da PUC-SP.
Nada que possa abalar a convivência religiosa jordaniana, no entanto. Com uma grande quantidade de muçulmanos no país, é comum ver igrejas e mesquitas lado a lado, mulheres usando o shia, lenço que cobre a cabeça e os braços, ao lado de mulheres sem nehuma proteção.
| Leando M. Pinto |
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Padre Rifat Bader |
A Constituição garante liberdade religiosa ao povo e as escolas públicas e privadas recebem alunos cristãos, muçulmanos e judeus, sem fazer restrições à religião. "Somos cidadãos da Jordânia, não viemos de outro país. Nós não fazemos guetos cristãos ou muçulmanos. Vivemos juntos aqui há 1.400 anos", afirma o bispo Selim Sayegh.
"A Jordânia sempre foi um modelo de coexistência entre as religiões e é um exemplo que deve ser seguido pelo resto do mundo", conclui o padre Riaft Bader.
* O jornalista Leandro Meireles Pinto viaja a convite do Jordan Tourism Board.
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