Papa vai a Turim para visitar Santo Sudário

Carmen Postigo. Roma, 2 mai (EFE).

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Carmen Postigo. Roma, 2 mai (EFE).- O papa Bento XVI visitou hoje a cidade italiana de Turim, onde comparou a escuridão do mundo contemporâneo com a do Sábado de Aleluia, durante a meditação diante do Santo Sudário. "Após as duas guerras mundiais, Hiroshima e Nagasaki, nossa época se transformou sempre em um Sábado de Aleluia", explicou o pontífice, em referência à escuridão e à morte que viveu Jesus. Mais de 50 mil pessoas aguardavam na praça de San Carlo pela chegada do papa, que celebrou a Eucaristia no local sob um céu que ameaçava chuva. Um dia após tomar as rédeas da renovação da congregação dos Legionários de Cristo, Bento XVI dirigiu aos fiéis uma homilia na qual os exortou a seguir o "mandamento novo" do qual falou Jesus: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". O papa lembrou que "sempre há em nós uma resistência ao amor e em nossa existência há muitas dificuldades que provocam divisões, ressentimentos e rancores". Bento XVI também falou sobre os menos favorecidos, "que passam sua existência em condições de precariedade, por causa da falta de trabalho, da incerteza sobre o futuro, do sofrimento físico e moral. Penso nas famílias, nos jovens, nos idosos que vivem frequentemente a solidão, nos marginalizados, nos imigrantes". O pontífice ressaltou que, no entanto, "não estamos sós, Deus ama a cada um sem distinção e está próximo a cada um com seu amor". Após uma refeição no arcebispado de Turim com os bispos de Piemonte, o papa recebeu o novo presidente da Fiat, John Elkann, e os príncipes Vítor Emanuel e Emanuel Filiberto de Sabóia, entre outras personalidades locais. Pouco depois, retornou à praça de San Carlo, onde teve um encontro com jovens. Às 17h30 locais (12h30 de Brasília), o papa foi até a Catedral de Turim para venerar o Santo Sudário, uma das relíquias mais famosas e discutidas do Cristianismo, que mede 4,39 metros de comprimento e 1,15 de largura. Em uma bela meditação, o papa refletiu sobre o Sábado de Aleluia, o tempo de "grande silêncio e solidão", cerca de um dia e meio, em que Jesus esteve morto e envolvido nesse lençol. A ocultação de Deus nesse tempo "faz parte da espiritualidade do homem contemporâneo, de maneira existencial, quase inconsciente como um vazio no coração" e isso fez Nietzsche escrever: "Deus morreu e nós o matamos", disse. O Santo Sudário foi restaurado em 2002, quando foram retirados os remendos colocados pelas freiras clarissas de Chambery (França). Bento XVI autorizou em 2009 a exposição do Santo Sudário aos fiéis em 2010 como uma ocasião "mais que propícia para contemplar esse misterioso rosto, que silenciosamente fala ao coração dos homens, convidando-os a reconhecer-se no rosto de Deus". O sudário havia sido exposto ao público pela última vez no ano 2000. Após a visita ao Santo Sudário, o pontífice retornou de helicóptero ao Vaticano. EFE cps/bba

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