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Transporte multimodal ganha peso no faturamento da Vale

Modalidade já responde por 10% do receita da área de logística da CVRD e deve crescer

Os serviços de logística multimodal, que agilizam vários aspectos do transporte de produtos e já são tendência mundial, estão sendo cada vez mais adotados pela principal empresa de logística do Brasil e segunda da América Latina - a Companhia Vale do Rio Doce. A logística multimodal permite que apenas um documento fiscal seja emitido, por conta de um operador que assume total responsabilidade pelo transporte, da origem ao destino.

O transporte multimodal responde hoje por 10% do faturamento da área de logística da CVRD e vem crescendo a taxas consideráveis, de acordo com o analista de mercado da companhia, Pedro Azevedo, que participou de reunião do Comitê de Supply Chain e Logística da Amcham-SP. A opção multimodal começou a ser analisada pela CVRD há cerca de quatro anos e há dois vem ganhando mais peso com a construção do Tercam, o Terminal de Camaçari, na Bahia, o maior e mais complexo da companhia no gênero.

O maior negócio da CVRD ainda é a mineração e, para sustentá-lo, a empresa desenvolveu uma série de ativos logísticos que são oferecidos também a terceiros de variados setores. A companhia tem como estratégia oferecer soluções completas para produtos de alto valor agregado, como manufaturados e semi-manufaturados, e é nesse contexto que a agilidade e eficiência do transporte multimodal ganham relevância.

Entre as vantagens que a modalidade oferece ao cliente destacam-se a logística integrada de porta-a-porta, a regularidade do transporte, o maior controle sobre a distribuição, os menores riscos de roubo de cargas, os reduzidos índices de avarias e os preços competitivos, uma vez que se pode empregar a modalidade mais adequada para cada tipo de carga e distância.

Terminal de Camaçari

Diante da tendência de grande parte das empresas de bens de consumo no Brasil de migração para o Nordeste, a CVRD decidiu investir na melhoria de sua malha de serviços com ferrovia e cabotagem e na criação de um terminal aberto ao mercado, inclusive a concorrentes. De acordo com o responsável por projetos de serviços da CVRD, o Service Designer Gilberto Cruz, Camaçari pareceu o local mais adequado por uma combinação de fatores: atendimento por linha férrea pela Ferrovia Centro Atlântica e pelo porto de Salvador, além da postura do Governo da Bahia no sentido de tomar a frente na questão da logística no Nordeste.

O Tercam ocupa uma área de 190 mil metros quadrados e segue o conceito de ferroporto, ou seja, um centro de transferência de carga e serviços logísticos ancorados numa operação ferroviária eficiente. Estão previstas oito áreas. A de movimento de contêineres já está em funcionamento e o armazém de bens de consumo deve ficar pronto em janeiro próximo. As demais ainda não têm data de entrega definida, em grande parte em função da perspectiva de estabelecimento de parcerias e da proposta de abertura a mudanças. O Tercam poderá ser criado aos poucos, conforme as necessidades que surjam, afirmou Cruz.

Os grandes benefícios proporcionados pelo Tercam serão, de acordo com Azevedo e Cruz, a multimodalidade (transporte direto por ferrovia e rodovia e indireto por via marítima), a alta flexibilidade operacional (capacidade de adaptação e expansão), a constituição de um pólo logístico (com concentração de serviços num único local, de modo a permitir ganhos de escala e redução de custos para os usuários) e o sistema de condomínio (com compartilhamento de custos entre usuários).

Update/Amcham


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