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Pesquisa do IBGE deve confirmar que economia voltou a acelerar
Se o PIB do 2º tri cresceu 1,4% ou perto disso, é sinal de que a economia agüenta trancos mais fortes
Antonio Machado
"Se eu soubesse que Lula iria manter a economia estável e acabar com o PT, já teria votado nele antes!" O comentário jocoso de um empresário paulista, que prefere não se identificar, dá a medida da repercussão da denúncia que atingiu o ministro Antonio Palocci, desferida por um lobista que o assessorou durante seu já longínquo primeiro mandato na prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996).
Se há ou não procedência, caberá à polícia e o Ministério Público de São Paulo investigar, sem conferir nenhuma atenção especial ao que o caso representa por envolver a figura que já era referência de um governo que se viu necessitado de provar que não faria vodus com a economia e que agora, cheio de hematomas pelo escândalo do mensalão, mais que nunca precisa do sucesso gerenciado por Palocci para não desabar. A economia está firme, não tanto quanto poderia, mas, dado o providencial excesso de conservadorismo de Palocci & equipe, o suficiente para atravessar este período de incertezas.
Os limites da resistência estão condicionados ao comportamento da oposição, que não parece sequiosa de aproveitar mais este sinal de fragilidade do governo, e dos aplicadores financeiros, a princípio os mais temerosos com os desdobramentos da eventual substituição de Palocci. O ministro desmentiu seu ex-assessor Rodrigo Buratti, que o acusou de receber da empreiteira Leão&Leão R$ 50 mil durante seu segundo mandato como prefeito de Ribeirão Preto (2000-2004), para repassar ao PT. O problema de Buratti é que ele só jogou lama por estar atolado até o pescoço num esquema de licitações viciadas em vários municípios e também no escândalo Gtech, o mesmo que tem o notório Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu, numa ponta. Resolveu falar para ver se mantém o benefício da delação premiada.
E se Palocci sair? O mercado financeiro pode lamentar, mas o seu legado teria consistência para agüentar uma transição, caso ela se opere no mesmo ambiente do neomalanismo professado pelo governo. O comportamento projetado do PIB no segundo trimestre, por exemplo, é um bom indicador da situação da economia. O IBGE vai anunciá-lo no próximo dia 31, mas as consultorias já prevêem que deverá ser o da virada da desaceleração do crescimento iniciada em de março de 2004. Está em linhas com os dados de consumo, produção e emprego.
Retomada com força
Com base no conjunto de indicadores já disponível, a consultoria Tendências se atreveu a simular o serviço completo, e lançou a sua aposta: o produto interno bruto de abril a junho deve ter crescido 1,4% em relação ao primeiro trimestre deste ano, e 4% sobre igual período do ano passado. Anualizando-se a taxa de crescimento do 2º trimestre, conforme é a praxe nos EUA, chega-se a espantosos 5,7%, que expressa quanto o PIB cresceria em doze meses, caso a projeção de 1,4% se confirme e se repita por mais três trimestres.
A se confirmarem tais números, o moral do governo, que está mais por baixo que sola de sapato devido ao escândalo do mensalão e aos dinheiros escusos movimentados pelo PT, receberá uma forte injeção de ânimo e a política econômica conservadora do Banco Central e da Fazenda terá mais elementos para resistir ao bombardeio – embora de mentirinha - dos únicos setores que admitem apoiar o mandato de Lula apesar das suspeitas que corroem a sua gestão: a nova direção do PT e entidades anexas como a UNE, MST e a central sindical CUT.
Produção no limite
A projeção otimista do PIB poderá provocar surpresa, mas tão só de quem não entendeu direito o momento vivido pela economia desde o ano passado. Como mostram os indicadores do nível de utilização da capacidade instalada da indústria, a produção em vários setores opera no limite, sobretudo os voltados para exportação. Não fosse a seca que castigou a agricultura de grãos no Sul, o consumo e os investimentos em máquinas e equipamentos estariam mais fortes, com reflexos sobre o aquecimento da economia.
Graças ao crediário, em especial o consignado à folha de salários e do INSS, as vendas de bens de duráveis estão puxando a indústria de transformação. O que, somado à manutenção do ímpeto exportador, também movimenta o setor de serviços. Na projeção da Tendências, a agropecuária teve expansão de 0,6% no 2º Tri contra o 1º (e 3,5% contra o 2º Tri de 2004), a indústria cresceu 3,4% (5,7% contra 2004) e serviços, 1,3% (2,6%).
PIB acima de 3,2%
Na seqüência da Tendências, o PIB do 3º Tri perderá força, mas a previsão é que retome no final do ano. As variáveis, pela ótica da demanda, indicam que a contribuição do setor externo para o PIB de 2005 será neutra, apesar da projeção de mega superávit da balança comercial; o consumo das famílias crescerá menos que o esperado, já que o desempenho da massa salarial vem fraco, embora positivo; e a taxa de investimentos continuará correndo de lado. Já o gasto público deverá aumentar, mesmo que o governo eleve de 4,25% para 5% do PIB o superávit primário. Há dinheiro público represado para gastar, sobretudo pelo aumento da arrecadação.
Tudo considerado, a Tendências estima que o PIB de 2005 crescerá 3,2%, no mínimo, contra 4,9% em 2004 e 0,5% em 2003. O paloccismo sobreviveu ao malanismo e, portanto, pode sobreviver sem Palocci.
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